Bombeiros encerram buscas 7 anos após rompimento de barragem em Brumadinho
Crime ambiental completa sete anos neste domingo (25)
Por: Redação
25/01/2026 • 13:01 • Atualizado
O Corpo de Bombeiros de Minas Gerais confirmou o fim das buscas dos corpos das vítimas do rompimento da barragem de rejeitos de mineração da Vale em Brumadinho, Região Metropolitana de Belo Horizonte. Segundo os agentes, 100% da área impactada pela lama foi analisada, mas sem sinais dos corpos desaparecidos. O caso completa sete anos neste domingo (25).
De acordo com os bombeiros, em sete anos de buscas, foram localizados 268 dos 270 mortos no crime ambiental da Vale em Brumadinho. Dois corpos ainda não foram encontrados, o engenheiro mecânico Tiago Tadeu Mendes da Silva e a estagiária Nathália de Oliveira Porto Araújo.
Vítimas perdidas na lama
Recém-admitida na Vale, Nathália de Oliveira Porto de Araújo, de 25 anos, conversava com o marido em seu horário de almoço quando sentiu o rompimento da barragem I, da mina Córrego do Feijão. De acordo com o companheiro da jovem, ela chegou a pedir livramento a Deus, antes de ser atingida pelos rejeitos. Nathália deixou dois filhos, de 3 e 4 anos na época.
Já Tiago Tadeu Mendes da Silva também estava há pouco tempo na unidade de Brumadinho da Vale. Ele era engenheiro mecânico recém-formado e havia sido transferido 20 dias antes do crime. Tiago também deixou dois filhos, além da esposa.
Força-tarefa para o resgate
Segundo o Corpo de Bombeiros, mais de 5 mil militares participaram da operação. Ao todo, foram mais de 1.600 horas de voo, realizadas por 31 aeronaves, somadas ao uso de pelo menos 68 cães e 120 máquinas.
Ao todo, 10 milhões de metros cúbicos de rejeitos foram despejados em uma área de aproximadamente 290 hectares. A título de comparação, a quantidade de lama vazada é equivalente a 100 vezes a capacidade do manancial Dique do Tororó, em Salvador.
Ao longo dos anos, as estratégias para a localização das vítimas foram alternadas sete vezes. O último corpo localizado na região foi em fevereiro de 2025, mais de seis anos após o crime.
Impactos ainda são sentidos
O rompimento da barragem da Vale em Brumadinho ocorreu em 25 de janeiro de 2019. Ao todo, além das vítimas, estima-se que mais de 100 mil pessoas tenham sido direta ou indiretamente afetadas pelo rompimento, enfrentando problemas como a proibição do uso da água do rio Paraopeba, que foi contaminado pelos rejeitos, além da perda de emprego, turismo destruído e impactos na saúde mental.
