Advogada diz que leis existem, mas cultura ainda sustenta violência
Especialista defende mudança social no combate à violência contra mulheres
Por: Marcos Flávio Nascimento
31/03/2026 • 15:00
Apesar dos avanços na legislação brasileira, o enfrentamento à violência contra a mulher ainda esbarra em fatores culturais profundamente enraizados. A avaliação é da advogada Fernanda Graziela, entrevistada pelo apresentador Luis Ganem durante o Portal Esfera no Rádio, transmitido nesta terça-feira (31), na Rádio Itapoan FM (97,5).
Na conversa, a especialista destacou que o país já conta com leis robustas, como a que tipifica o feminicídio, com penas que podem chegar a 40 anos. Ela também citou o avanço no debate sobre o vicaricídio, crime em que o agressor atinge familiares da vítima para provocar sofrimento.
“Nós já temos muitas leis. Não acho que o problema hoje seja a falta de legislação”, afirmou.
Na avaliação de Fernanda, o principal desafio está na forma como a sociedade ainda naturaliza comportamentos violentos. Segundo ela, a transformação passa por uma mudança coletiva de postura:
“A modificação só vai acontecer quando a sociedade começar a se policiar e entender que isso não é brincadeira, é violência”."
Base de relações desiguais
Outro ponto levantado foi o impacto dos estereótipos de gênero, que, de acordo com a advogada, ajudam a sustentar relações desiguais. Ela explicou que essas construções sociais definem papéis e limitam comportamentos desde a infância.
“Enquanto continuarmos reforçando esses estereótipos, não vamos avançar no combate à violência”, pontuou.
A especialista também chamou atenção para o fato de que a violência não atinge apenas um perfil específico de mulher, embora seja mais intensa em contextos de vulnerabilidade. Questões como raça e classe social, segundo ela, ampliam o risco, especialmente para mulheres pretas e periféricas.
Durante a entrevista, Fernanda reforçou que muitas agressões estão ligadas a uma relação de poder, e não de afeto. Para ela, episódios de violência costumam se intensificar quando a mulher impõe limites. Nesse contexto, atitudes cotidianas, como compartilhar imagens íntimas sem consentimento, também precisam ser tratadas com seriedade.
Ao final, a advogada defendeu que o combate à violência deve ser encarado como uma responsabilidade coletiva. Para ela, reconhecer práticas naturalizadas e corrigi-las no dia a dia é um passo essencial para reduzir os índices e promover uma mudança real na sociedade.
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