Logo

Mudanças climáticas provocam alta global nos preços dos alimentos

Ondas de calor, secas prolongadas e enchentes podem afetar diretamente as safras

Por: Felipe Santana

22/07/202511:30

Um estudo recente conduzido pelo Barcelona Supercomputing Center revelou que eventos climáticos extremos, agravados pelas mudanças climáticas, estão provocando aumentos expressivos e rápidos nos preços de alimentos em diversas regiões do mundo. O levantamento mostra que ondas de calor, secas prolongadas e enchentes vêm afetando diretamente as safras e cadeias de abastecimento, pressionando os índices de inflação alimentar em escala global.

Alimentos
Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

Entre os exemplos citados no estudo estão os aumentos de até 50% no preço do azeite após uma severa seca na Espanha, a alta de 89% no valor da cebola na Índia durante uma onda de calor, o aumento de 70% no preço do repolho na Coreia do Sul, além de picos semelhantes em alimentos como arroz, vegetais e frutas em países como Japão e Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, essas altas costumam ocorrer poucos meses após os eventos climáticos e tendem a se repetir com mais frequência e intensidade, à medida que o planeta continua a aquecer.

O relatório também destaca o papel dos mercados globalizados, que amplificam os efeitos de crises locais. Um exemplo foi a disparada nos preços do cacau na África Ocidental, que afetou diretamente o valor do chocolate em outros continentes. Além disso, medidas emergenciais adotadas por governos, como embargos à exportação, acabam gerando instabilidade adicional no mercado internacional.

Outro ponto de alerta é o impacto desproporcional sobre famílias de baixa renda, que destinam uma parcela maior de seus orçamentos à alimentação. O aumento nos preços leva à substituição de alimentos frescos e nutritivos por opções mais baratas e menos saudáveis, agravando quadros de desnutrição e insegurança alimentar. Isso, segundo o estudo, pode desencadear crises sociais e até instabilidade política em países mais vulneráveis.

O cenário representa um novo desafio para os bancos centrais, especialmente nas economias em desenvolvimento. Controlar a inflação diante de choques climáticos que afetam diretamente os preços de alimentos exige uma adaptação dos instrumentos de política monetária, que muitas vezes não foram desenhados para lidar com variáveis ambientais tão intensas e imprevisíveis.

O estudo conclui que, sem ações globais mais coordenadas para mitigar os efeitos da mudança climática e fortalecer sistemas alimentares resilientes, os impactos econômicos e sociais tendem a se agravar nos próximos anos.