Brasil tem 7,2 milhões de empresas inadimplentes em 2025
Inadimplência atinge 31% dos negócios ativos; setor de serviços lidera endividamento
Por: Iago Bacelar
23/05/2025 • 12:09 • Atualizado
O número de empresas inadimplentes no Brasil alcançou 7,2 milhões em 2025, o que representa 31% dos negócios ativos no país. Os dados constam em um levantamento realizado pela FecomercioSP, com base em informações da Serasa Experian.
O número representa um avanço em relação a 2024, quando 6,9 milhões de empresas encerraram o ano com dívidas em aberto. O cenário atual indica fragilidade financeira de boa parte das organizações, principalmente entre os pequenos negócios.
Entre os inadimplentes, 6,8 milhões são Micro e Pequenas Empresas (MPEs), responsáveis por 47,2 milhões de débitos, que juntos somam mais de R$ 141,6 bilhões. O resultado aponta para a dificuldade de manutenção da atividade produtiva diante de restrições de crédito e aumento de custos operacionais.
Setor de serviços lidera endividamento empresarial
De acordo com a FecomercioSP, o setor de serviços concentra 52,8% das empresas inadimplentes, mantendo a liderança entre os segmentos mais afetados. Em seguida, aparece o setor de comércio, com 35% dos registros negativos.
A predominância de MPEs entre os devedores também reflete a maior exposição desses negócios a flutuações econômicas, menor acesso a linhas de financiamento e dificuldade de renegociação com credores.
Pedidos de recuperação judicial batem recorde histórico
O levantamento mostra que os pedidos de recuperação judicial aumentaram 61,8% em 2024, com 2.273 solicitações protocoladas. Trata-se do maior volume da série histórica iniciada em 2006.
A tendência se mantém em 2025. Em janeiro, foram 162 pedidos; em fevereiro, 122 solicitações. Segundo a FecomercioSP, apesar de uma queda de 3,5% nas solicitações no encerramento do ano passado, o movimento de alta segue neste início de ano, o que indica tentativas mais frequentes de evitar falência por meio da reestruturação judicial.
Alta dos juros e crédito restrito agravam a crise
A federação avalia que o aumento da inadimplência e dos pedidos de recuperação judicial está relacionado a três fatores principais: juros altos, inflação persistente e restrição ao crédito.
Mesmo com ganho real de renda em alguns segmentos da população e um mercado de trabalho aquecido, o ambiente para os negócios segue desfavorável. A entidade destaca que, em muitos casos, as empresas recorrem à recuperação como última alternativa antes da falência.
"Apesar da leve queda no número de pedidos no final de 2024, a elevação nas solicitações demonstra que a recuperação judicial segue sendo uma tentativa de sobrevivência para muitas empresas", afirmou a FecomercioSP em nota.
O cenário também afeta negativamente cadeias produtivas, fornecedores e prestadores de serviço, ampliando os impactos econômicos. As dificuldades de acesso ao crédito formal têm levado empresas a postergar pagamentos, elevar o endividamento e recorrer a renegociações menos vantajosas.
Serviço — como consultar dívidas e regularizar pendências
Empresas interessadas em verificar a situação de seus débitos em aberto podem acessar o site da Serasa Experian para consultar informações e possíveis opções de renegociação.
Além disso, há ferramentas disponíveis para microempreendedores e empresas de pequeno porte que desejam acessar linhas de crédito específicas, especialmente por meio de programas públicos e bancos com atuação voltada ao segmento de MPEs.
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