Logo

Preço do café tem queda após 18 meses, mas marcas premium seguem altas

Produto acumula alta de 76,5% em 12 meses, segundo dados do IBGE

Por: Iago Bacelar

26/07/202511:56Atualizado

Pela primeira vez desde dezembro de 2023, o café moído apresentou queda no IPCA-15 de julho, com recuo de 0,36%. A redução interrompe uma sequência de 18 meses de altas consecutivas, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (25) pelo IBGE. Apesar da variação negativa, o produto acumula alta expressiva de 76,5% nos últimos 12 meses, sendo o item com maior variação entre os 367 analisados pelo índice.

Preço do café tem queda após 18 meses, mas marcas premium seguem altas
Foto: Heckel Júnior/Divulgação

As marcas de café premium continuam com valores elevados, chegando a custar R$ 80 o quilo em algumas capitais. Em São Paulo, o IPC da Fipe já sinalizava uma tendência de queda, mas os preços ainda permanecem em patamares altos, influenciados pelos impactos climáticos que comprometeram as últimas safras.

Impactos do mercado internacional

Além dos efeitos internos, o mercado do café no Brasil enfrenta novas incertezas. O governo Donald Trump anunciou a possibilidade de aplicar uma sobretaxa de 50% nas exportações brasileiras de café, o que pode gerar um novo aumento nos preços internos caso haja redução da competitividade no mercado externo.

O Cepea, instituição especializada na análise do setor, alerta que o mercado ainda avalia como redistribuir a oferta diante da possibilidade de entraves comerciais. Caso a sobretaxa seja confirmada, a expectativa é que os estoques internos precisem ser ajustados, o que pode pressionar os preços do café premium.

Dados da inflação e aumento acumulado

De acordo com o FGV Ibre, o café em pó acumulou alta de 89,6% nos últimos 12 meses, um crescimento muito acima da média da cesta de inverno, que ficou em 2,8%. O economista Matheus Dias, da instituição, ressaltou que o grão foi um dos itens com maior impacto na inflação recente.

“O café foi o principal destaque negativo, com aumento expressivo”, afirmou o especialista. O recuo registrado em julho ainda é considerado tímido diante da elevação ocorrida no último ano, e não há sinais de que a tendência de queda se manterá nos próximos meses, especialmente diante das possíveis barreiras comerciais.

Expectativas para os próximos meses

O setor cafeeiro acompanha os efeitos das variações climáticas e das negociações internacionais para avaliar se a recente queda nos preços será mantida. A alta acumulada ainda pesa no bolso do consumidor, principalmente para quem opta por marcas premium, que apresentam preços mais elevados devido à qualidade e menor escala de produção.

Com as incertezas comerciais envolvendo os Estados Unidos e o impacto climático sobre as safras, especialistas avaliam que o mercado pode passar por novas oscilações. A recomendação é acompanhar os próximos índices de inflação e o posicionamento do governo brasileiro frente às ameaças tarifárias internacionais.