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Inflação desacelera em junho, mas alimentos seguem pressionando preços

IPCA-15 fica em 0,41%; tomate, batata e feijão lideram altas no mês

Por: Redação

25/06/202612:36

A prévia da inflação oficial do país perdeu força em junho, mas continua impactando o bolso dos brasileiros. Divulgado nesta quinta-feira (25) pelo IBGE, o IPCA-15 registrou alta de 0,41%, resultado inferior ao observado em maio, quando o indicador avançou 0,62%.

Foto Inflação desacelera em junho, mas alimentos seguem pressionando preços
Foto: Leonardo Sá/Agência Senado

Mesmo com a desaceleração, o acumulado do ano já chega a 3,45%, enquanto a inflação dos últimos 12 meses atingiu 4,80%, acima dos 4,64% registrados no levantamento anterior.

Os maiores responsáveis pelo resultado de junho foram os grupos Alimentação e bebidas e Habitação, que juntos responderam por cerca de dois terços da inflação do período.

Entre os alimentos, alguns itens continuaram pesando fortemente no orçamento das famílias, especialmente produtos básicos consumidos diariamente.

Tomate, batata e feijão lideram disparada

Dentro da alimentação no domicílio, os aumentos mais expressivos foram registrados na batata-inglesa, que subiu 29,42%, no tomate, com alta de 17,27%, e no feijão-carioca, que avançou 14,29%.

O levantamento mostra ainda que tomate, cenoura e batata acumularam valorização superior a 100% apenas no primeiro semestre deste ano. Nem todos os produtos, porém, ficaram mais caros. O café moído apresentou queda de 3,69%, enquanto as frutas registraram recuo médio de 0,96%.

Já a alimentação fora de casa também desacelerou. As refeições em restaurantes subiram menos do que no mês anterior, embora os lanches tenham apresentado leve aceleração.

Conta de luz continua pressionando inflação

No grupo Habitação, a principal influência veio da energia elétrica residencial, que avançou 2,04% e exerceu o maior impacto individual sobre o índice do mês. Além da vigência da bandeira tarifária amarela, o resultado também reflete reajustes aplicados em diferentes capitais brasileiras, incluindo Salvador, onde as tarifas sofreram aumento de 4,78%.

As contas de água e esgoto também contribuíram para a alta do grupo, principalmente após reajustes em cidades como Brasília e Curitiba.

Outro segmento que apresentou pressão foi o de Saúde e cuidados pessoais, impulsionado pelo aumento dos preços de artigos de higiene e pelos reajustes dos planos de saúde autorizados pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Combustíveis ajudam a conter avanço dos preços

Na contramão da inflação, o grupo Transportes registrou leve queda de 0,03%. O principal motivo foi o recuo dos combustíveis. O etanol caiu 5,30%, a gasolina ficou 0,73% mais barata e o óleo diesel teve redução de 1,47%.

Em Salvador, o impacto foi ainda mais perceptível. A capital baiana terminou o mês entre as cidades com menor inflação do país, registrando variação de apenas 0,28%.

Entre os fatores que ajudaram a segurar os preços na cidade aparecem justamente a queda do café moído, de 5%, e o recuo da gasolina, que ficou 1,53% mais barata no período.

Os dados do IPCA-15 foram coletados entre 16 de maio e 16 de junho e funcionam como uma prévia da inflação oficial medida pelo IBGE.