Estados devem fechar 2026 com déficit de R$ 6 bilhões, diz XP
Gastos avançam acima da arrecadação e pressionam contas públicas em ano eleitoral
Por: Redação
08/06/2026 • 09:41
As contas públicas dos estados brasileiros devem encerrar 2026 no vermelho. Segundo projeção da XP Investimentos, os governos estaduais devem acumular um déficit fiscal de R$ 6 bilhões até o fim do ano, revertendo o cenário observado em 2025, quando houve superávit de R$ 6,6 bilhões.
O levantamento aponta que o avanço das despesas em ritmo superior ao crescimento das receitas tem pressionado o equilíbrio fiscal das unidades federativas, movimento considerado comum em períodos eleitorais.
Dados analisados pela instituição mostram que, entre janeiro e abril, as despesas totais dos estados cresceram 6,5% acima da inflação. No mesmo intervalo, a arrecadação registrou alta real de 3,3%, praticamente metade do avanço dos gastos.
Para o economista da XP, Tiago Sbardelotto, o comportamento já era esperado diante do calendário político. Segundo ele, quando existe espaço orçamentário, os governos costumam ampliar investimentos e despesas em busca de entregas e visibilidade.
Caixa disponível e novas dívidas ampliam margem para gastos
Um dos fatores que explicam o aumento das despesas é a existência de saldo positivo em caixa deixado por parte dos estados ao final de 2025. De acordo com a XP, havia cerca de R$ 29 bilhões disponíveis, valor que pode ser utilizado para financiar gastos neste ano.
Apesar disso, alguns estados já começaram 2026 em situação delicada. Minas Gerais lidera a lista dos entes com pior disponibilidade financeira, apresentando déficit de aproximadamente R$ 11 bilhões em caixa. Também aparecem em situação desfavorável Rio Grande do Norte e Alagoas.
Outro elemento que favorece a expansão dos gastos é a ampliação das operações de crédito. A adesão ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) permitiu a renegociação de débitos com a União em condições mais favoráveis, liberando espaço para novos investimentos.
Além disso, a aprovação da PEC dos Precatórios reduziu a pressão imediata sobre os cofres estaduais ao ampliar o prazo para pagamento dessas dívidas judiciais, o que acabou aumentando a capacidade de gasto no curto prazo.
Estados ampliam investimentos, mas especialistas alertam
O estudo da XP aponta que Maranhão, Rio Grande do Norte e Mato Grosso estão entre os estados que mais ampliaram despesas em comparação com o crescimento da arrecadação.
No Maranhão, por exemplo, as despesas avançaram 21,4%, enquanto as receitas cresceram 8,9%. Já no Rio Grande do Norte, os gastos subiram 17,7%, diante de uma expansão de apenas 5,3% na arrecadação.
A expectativa da instituição financeira é de que os estados aumentem os investimentos em cerca de 40% ao longo de 2026, contribuindo para uma política fiscal mais expansionista.
Especialistas avaliam, porém, que a situação varia significativamente entre as unidades da federação. Estados como Espírito Santo, São Paulo, Piauí e Sergipe são apontados como exemplos de gestão fiscal mais equilibrada.
Na outra ponta, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul continuam enfrentando dificuldades estruturais relacionadas ao elevado endividamento e à dependência de renegociações constantes com a União.
Para analistas, o crescimento das despesas em ano eleitoral não representa necessariamente um problema quando ocorre em estados que reduziram significativamente sua dívida nos últimos anos. O alerta recai sobre governos que ampliam gastos sem apresentar capacidade financeira para sustentá-los no longo prazo.
A avaliação é de que, sem medidas de controle mais rigorosas, o desequilíbrio fiscal pode se aprofundar nos próximos anos, aumentando a pressão sobre as contas públicas estaduais e limitando a capacidade de investimento futuro.
*Com informações do O GLOBO.
Relacionadas
