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Escalada no Oriente Médio não deve impactar juros no Brasil, afirma Haddad

Ministro afirma que país tem “autonomia suficiente” para enfrentar cenário externo

Por: Agência Brasil|Redação

03/03/202618:00

A escalada do conflito no Oriente Médio não deverá provocar efeitos imediatos na trajetória de queda dos juros no Brasil. A avaliação foi feita pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta terça-feira (3).

Fernando Haddad durante entrevista
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

A tensão internacional aumentou após ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra o Irã no último sábado (28). A ofensiva resultou na morte do líder supremo iraniano, o aiatolá Ali Khamenei.

Ao comentar o cenário, Haddad reconheceu que conflitos armados costumam impactar variáveis econômicas, especialmente as expectativas do mercado diante da gravidade dos fatos. Segundo ele, cabe à equipe econômica se antecipar a possíveis desdobramentos, ainda que sejam guerras, crises sanitárias, eventos climáticos extremos ou disputas comerciais.

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O ministro ponderou ainda que o Brasil deve agir com cautela. Para ele, é necessário não “sobrevalorizar as forças” do país, mas também não ignorar sua capacidade de reação. Haddad destacou que a economia brasileira tem recursos que permitem enfrentar turbulências externas.

“O Brasil não depende de petróleo, o Brasil é um dos maiores produtores de petróleo do mundo, sobretudo graças ao pré-sal, fruto de investimentos na Petrobras [...] Nós temos reservas cambiais, nós não temos dívida externa [...], nós temos energia limpa”, acrescentou.

Selic pode começar a cair em março

 

A expectativa do mercado é que a taxa básica de juros, a Selic, inicie um ciclo de redução na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para os dias 17 e 18 de março. Atualmente, a taxa está em 15% ao ano.

Definida pelo Comitê de Política Monetária do Banco Central, a Selic é o principal instrumento de controle da inflação no país. A taxa atual é a mais elevada desde julho de 2006, quando chegou a 15,25% ao ano.

Mesmo com sinais de recuo na inflação e no dólar, o colegiado optou por manter os juros inalterados na última reunião, realizada no fim de janeiro — a quinta decisão consecutiva sem mudança.

Em ata, o Copom indicou que deve iniciar a redução em março, desde que o cenário econômico permaneça estável. Ainda assim, o Comitê já sinalizou que a política monetária  continuará em nível restritivo, mesmo com o início do ciclo de cortes.