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Bancos podem desembolsar até R$ 30 bi para reforçar o FGC

Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil devem liderar recomposição

Por: Redação

26/02/202610:24Atualizado

Os cinco maiores bancos do país podem desembolsar cerca de R$ 30 bilhões nos próximos meses para recompor o caixa do Fundo Garantidor de Créditos (FGC), segundo estimativas de analistas ouvidos pelo Estadão/Broadcast. O reforço ocorre após a liquidação do Banco Master, que deixou impacto relevante sobre os recursos do fundo.

Foto Bancos podem desembolsar até R$ 30 bi para reforçar o FGC
Foto: Joédson Alves/ Agência Brasil

Devem concentrar a maior parte das contribuições instituições como Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Banco do Brasil e Santander Brasil. O cálculo considera a antecipação de cinco anos das contribuições mensais ao fundo, medida acertada como parte do plano de recomposição aprovado neste mês.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central do Brasil em novembro de 2025, sob suspeita de fraudes. Cerca de 800 mil investidores com aplicações cobertas pelo FGC estão sendo ressarcidos.

Atualmente, o FGC possui patrimônio estimado em R$ 125 bilhões. Desse total, apenas as coberturas relacionadas ao Banco Master, ao Will Bank e ao Banco Pleno podem consumir ao menos R$ 52 bilhões, o que levou à necessidade de reforço de capital.

Como os dados detalhados de contribuição não são públicos, as projeções são baseadas em estimativas de mercado e podem divergir dos cálculos internos das instituições financeiras, que têm acesso às informações completas. Entre os grandes bancos, apenas o Banco do Brasil divulgou publicamente previsão de impacto financeiro até o momento.

Além da antecipação das contribuições, está prevista cobrança extraordinária equivalente a 50% dos aportes mensais. De acordo com estimativas do Citi, no caso das quatro principais instituições de capital aberto, isso pode representar despesa adicional anual de aproximadamente R$ 2,6 bilhões. Analistas avaliam que o efeito deve ser relevante, mas administrável para os indicadores financeiros do setor.

Pelas regras vigentes, as instituições associadas ao FGC recolhem mensalmente 0,01% sobre o total de instrumentos financeiros garantidos. No caso dos Depósitos a Prazo com Garantia Especial (DPGE), a alíquota varia entre 0,02% e 0,03%, a depender das condições de emissão.

Para o Itaú, por exemplo, estimativas do Citi apontam desembolso inicial de R$ 8,8 bilhões, além de aproximadamente R$ 882 milhões por ano referentes ao adicional extraordinário. Os valores podem estar superestimados, pois consideram depósitos totais da operação, inclusive fora do país, enquanto a cobertura do FGC se limita a depósitos no Brasil.

O presidente do Itaú, Milton Maluhy, afirmou recentemente que defende a adoção de mecanismos que reforcem o fundo sem ampliar excessivamente os custos para o sistema financeiro e a sociedade. Segundo ele, referências internacionais podem servir de base para o processo de recapitalização.