Nordeste é o segundo maior mercado de FIDCs do Brasil, aponta estudo
Pesquisa do Grupo IOX revela que a região é o segundo principal mercado do segmento
Por: Redação
14/05/2026 • 14:00 • Atualizado
Um levantamento realizado pelo Grupo IOX revela que a região Nordeste já responde por 9,3% das operações de crédito privado estruturadas no país, consolidando-se como a segunda principal região no mercado de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), atrás apenas do Sudeste, que concentra 77,8% das operações.
O dado reforça a relevância crescente da região em um segmento historicamente concentrado no Sudeste. Com participação superior à do Sul, que responde por 8,2% das operações, o Nordeste se destaca como uma das principais fronteiras de expansão para o mercado de FIDCs, enquanto Norte e Centro-Oeste somam participações inferiores a 3%.
Os FIDCs são veículos de investimento que antecipam recebíveis de empresas, transformando créditos futuros em capital imediato.
A expansão dos FIDCS
Nos últimos anos, o instrumento ganhou relevância diante do encarecimento do crédito bancário tradicional e da manutenção da Selic (taxa básica de juros) em patamares elevados, cenário que favorece operações estruturadas e de maior retorno para investidores.
O avanço nordestino ocorre em meio a uma demanda crescente por crédito fora dos grandes centros financeiros. No Brasil, a estimativa é que cerca de 100 mil empresas de médio porte enfrentam dificuldades de acesso a financiamento.
Esse cenário se intensifica ainda mais em um ambiente de juros elevados, com a Selic em 14,5%, que segue pressionando o custo do crédito bancário, ampliando o espaço para alternativas como os FIDCs.
Leia mais:
Investimento de R$ 950 milhões impulsiona produção de etanol na Bahia
Bilionários com menos de 30 anos batem recorde em 2025
Bahia ultrapassa São Paulo e lidera investimentos no país em 2025
O levantamento reforça o crescimento do Nordeste em um movimento de descentralização do crédito privado no país. A expansão da atividade econômica regional, combinada ao aumento da demanda por financiamento de pequenas e médias empresas, têm impulsionado a procura por estruturas alternativas de crédito.
Captações do segmento
Neste cenário, o mercado de FIDCs segue em expansão no Brasil. Dados consolidados da indústria de fundos de investimento referentes a abril de 2026, divulgados pela Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (ANBIMA), revelam um cenário de retração para as classes tradicionais.
Enquanto o setor como um todo registrou resgates líquidos de R$ 18,1 bilhões, os FIDCs mantiveram trajetória oposta, liderando as captações líquidas com R$ 4,5 bilhões no mês.
“O investidor deixou de comprar apenas taxa. Hoje, ele avalia a tese, a estrutura e a governança da operação”, afirma Vicente Guimarães, diretor de RI do Grupo IOX.
Em sua avaliação, o cenário reforça a tendência de interiorização do mercado de crédito privado, acompanhando o avanço de instrumentos como FIDCs e debêntures fora dos grandes centros financeiros.
Para o executivo, a descentralização não é apenas uma oportunidade, mas uma necessidade técnica diante do novo ambiente de juros. “Em um cenário mais desafiador, quem domina análise técnica, fluxo de caixa e estruturação terá vantagem. Estruturas lastreadas e bem organizadas entregam previsibilidade”, afirma.
Relacionadas
