Lava Jato x Banco Master: iguais na impunidade
28/07/2026 • 11:03 • Atualizado
Embora de naturezas distintas, do ponto de vista financeiro, a corrupção do Banco Master é maior. As liquidações do Master e de instituições associadas geraram um rombo superior a R$ 52 bilhões no Fundo Garantidor de Créditos (FGC), representando a maior falência bancária da história do país. Na Lava Jato a roubalheira se deu na Petrobrás, oscilando entre R$ 6,2 bilhões (estimativa da própria estatal) a R$ 29 bilhões, conforme levantamento do Tribunal de Contas da União (TCU). Isso em prejuízos acumulados e contratos desde 2002. Os valores de multas e acordos atingiram cerca de R$ 3,9 bilhões, recolhidos ou prometidos. O total acordado para recuperação foi de R$ 3,9 bilhões em multas e perdimento de bens estipulados em colaborações, mas o que foi efetivamente depositado e direcionado aos cofres públicos e entidades parceiras chega a mais de R$ 2,9 bilhões. R$ 25 bilhões retornaram aos cofres públicos. O rombo provocado pelo Master representa o maior de nossa história, além do impacto de resgate do Fundo Garantidor de Crédito, afetando fundos de pensão, estatais e investidores. As liquidações do Master e do Will Bank custaram cerca de R$ 47,3 bilhões ao FGC, exigindo um aporte emergencial dos maiores bancos do país. As perdas atingiram quase R$ 2 bilhões para os fundos de Previdência de 18 estados e municípios. Investimentos atrelados ao conglomerado resultaram em um dano de cerca de R$ 6,6 bilhões ao caixa do banco.
A Lava Jato focou em esquemas de corrupção sistêmica e cartel de empreiteiras com a administração pública. No caso do Master, o impacto atingiu fortemente o Banco de Brasília (BRB), estados, municípios e fundos de pensão. Analistas apontam que as ramificações de poder e conexões de bastidores do escândalo do Master rivalizam ou superam a repercussão política da Lava Jato devido ao envolvimento de figuras de alta relevância da República. A Lava Jato envolveu políticos de vários partidos, ex-dirigentes da Petrobras, doleiros e grandes empreiteiros.
Os principais grupos nela investigados incluíam figuras como Paulo Roberto Costa, ex-diretor de Abastecimento da estatal e um dos primeiros delatores, Alberto Youssef, doleiro apontado como operador financeiro do esquema de lavagem de dinheiro e outros ex-diretores da Petrobras como Renato Duque e Nestor Cerveró. Entre os políticos e partidos estão o ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, José Dirceu, Ex-Ministro da Casa Civil, dezenas de parlamentares, senadores e ex-governadores de partidos como PP, MDB, PT e PSDB. Já no caso Master, as autoridades e executivos investigados no rombo incluem figuras do alto escalão do governo, do mercado, do Banco Central e da política nacional. Entre eles estão Daniel Vorcaro, Presidente e principal controlador do Master, preso na Operação Compliance Zero; Paulo Henrique Costa, Ex–diretor de Fiscalização do Banco Central, alvo de mandados e uso de tornozeleira eletrônica; Augusto Lima, Ex-CEO e sócio do Banco Master; Luiz Antonio Bull, Diretor de Riscos, Compliance, RH, Operações e Tecnologia do banco, e Ailton de Aquino Santos, Diretor de Fiscalização do Banco Central ouvido nas investigações sobre a liquidação da instituição. E
ntre os políticos estão Ciro Nogueira, Flávio Bolsonaro, Cláudio Castro, ex-governador do Rio de Janeiro, Guido Mantega, ex-ministro do PT, Jacques Wagner, senador pela Bahia e outros. Em relação ao Judiciário aparecem Alexandre de Moraes através de contratos advocatícios com o escritório de sua esposa, Dias Toffoli (negócios de familiares) e Nunes Marques, por meio do seu filho, cuja defesa alega se tratar de atuações jurídicas. Os personagens da Lava Jato e do Banco Master são distintos, mas o crime é o mesmo; e a impunidade também.
Luiz Holanda
Luiz Holanda (ou Luiz de Holanda Moura) é um reconhecido jurista, professor universitário e advogado baiano, com vasta experiência em gestão pública e ensino jurídico. É autor de livros e artigos, além de ter sido conselheiro da OAB/BA e ocupado cargos importantes na administração pública.

