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Uso de medicamento para prevenir HIV cresce 82,1% na Bahia

Maioria dos usuários da PrEP está em Salvador; Jovens e populações vulneráveis ainda enfrentam barreiras de acesso

Por: Iago Bacelar

28/05/202508:49

O número de usuários da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), medicamento para prevenir o HIV, cresceu 82,1% na Bahia. O dado faz parte do Relatório de Monitoramento de Profilaxias Pré e Pós-Exposição ao HIV 2023, que aponta um aumento expressivo de usuários em todo o Brasil.

Uso de medicamento para prevenir HIV cresce 82,1% na Bahia
Foto: Ludmilla Souza/Agência Brasil

A PrEP consiste na utilização diária de medicamentos antirretrovirais por pessoas não infectadas, mas expostas a alto risco de contaminação. Essa estratégia tem sido uma das principais ferramentas de prevenção combinada adotadas pelo Ministério da Saúde no combate ao HIV e outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).

Bahia tem mais de 3 mil usuários de PrEP

Na Bahia, o número de usuários passou de cerca de 2 mil em 2022 para 3.642 em 2023. Salvador concentra 1.796 desses usuários, que têm acesso à medicação em cinco unidades municipais e duas estaduais. Apesar do crescimento expressivo, o acesso ainda apresenta desigualdades.

O perfil dos usuários baianos mostra que 84,5% são homens homossexuais cis. A maior parte está nas faixas etárias entre 25 e 39 anos. Esses números indicam que a PrEP tem alcançado especialmente populações historicamente mais vulneráveis à infecção pelo HIV.

Acesso à PrEP enfrenta desafios

O relatório aponta que, apesar do aumento significativo, o acesso à PrEP ainda enfrenta barreiras regionais e sociais. A oferta é desigual, com distribuição concentrada em grandes centros urbanos, o que dificulta o acesso de populações em áreas periféricas ou em situação de maior vulnerabilidade.

Segundo o documento, o acesso limitado também afeta grupos prioritários, como pessoas trans, profissionais do sexo e usuários com múltiplos parceiros. Essa desigualdade no acesso impede que a estratégia alcance plenamente o objetivo de reduzir em até 90% as novas infecções pelo vírus.

Faixa etária dos usuários

O relatório do Ministério da Saúde mostra que 42% dos usuários da PrEP no Brasil têm entre 30 e 39 anos e 23% estão entre 25 e 29 anos. Apenas 0,2% têm entre 15 e 17 anos. Essa faixa etária foi incluída na recomendação de uso da PrEP em agosto de 2023, o que explica o percentual ainda baixo.

A disparidade etária indica a necessidade de ampliar o alcance da medicação entre adolescentes e jovens, especialmente aqueles em situação de vulnerabilidade social. Essa ampliação exige estratégias específicas de comunicação, acolhimento e educação em saúde.

Importância de ampliar a cobertura

Especialistas e gestores apontam que o desafio atual vai além da oferta do medicamento. É necessário aumentar o número de unidades dispensadoras, simplificar protocolos, capacitar equipes de saúde e promover campanhas de educação voltadas às populações negras, trans, jovens e periféricas.

Como destaca o relatório, o aumento do número de usuários da PrEP em relação ao número de novas infecções é um indicativo direto de que as políticas públicas de prevenção ao HIV têm alcançado resultados positivos.

Distribuição gratuita no SUS

A PrEP está disponível de forma gratuita no Sistema Único de Saúde (SUS). Mesmo assim, o relatório reforça que a ampliação de sua cobertura precisa ser prioridade para reduzir as infecções e conter o avanço do HIV no país.

Essa ampliação deve considerar não apenas a oferta do medicamento, mas também o fortalecimento das ações de educação e acolhimento para garantir que populações historicamente excluídas tenham acesso à estratégia.

Como funciona a PrEP

A PrEP consiste no uso diário de medicamentos antirretrovirais por pessoas que não têm o vírus, mas estão em maior risco de exposição. Esses medicamentos bloqueiam a multiplicação do HIV no organismo, evitando que ele se estabeleça.

É indicada para pessoas que têm maior risco de infecção, como homens que fazem sexo com homens, pessoas trans, profissionais do sexo e usuários que têm múltiplos parceiros sexuais. Essa estratégia faz parte do conjunto de ações de prevenção combinada adotadas pelo Ministério da Saúde.

O uso correto da PrEP pode reduzir em até 90% o risco de infecção pelo HIV. Por isso, especialistas reforçam a importância de manter a adesão ao medicamento e de acompanhar as orientações das equipes de saúde.