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Uso da PrEP cresce na Bahia, mas abandono preocupa especialistas

Estado soma 5,4 mil usuários, mas 33% interrompem prevenção contra HIV

Por: Redação

10/04/202610:14

O uso da PrEP (Profilaxia Pré-Exposição) tem avançado na Bahia nos últimos anos, mas o alto índice de abandono acende um alerta entre especialistas. Dados do Ministério da Saúde mostram que o estado reúne atualmente 5.460 usuários regulares, enquanto 33% das pessoas que iniciaram o tratamento deixaram de utilizá-lo ao longo do tempo.

Foto Uso da PrEP cresce na Bahia, mas abandono preocupa especialistas
Foto: Ludmilla Souza/Agência Brasil

A estratégia é indicada para pessoas a partir de 15 anos que não vivem com HIV, mas estão em situação de maior vulnerabilidade. Quando utilizada corretamente, a PrEP pode reduzir em até 90% o risco de infecção, sendo uma das principais ferramentas de prevenção disponíveis no SUS. Ainda assim, a adesão contínua segue como desafio.

Entre os grupos mais afetados pela descontinuidade, estão os mais jovens. Levantamentos apontam que 57% dos usuários com menos de 18 anos interrompem o uso, enquanto na faixa de 18 a 24 anos o índice chega a 49%, o que reforça a dificuldade de manter o acompanhamento nesse público.

Diante desse cenário, pesquisadores lançam o estudo COMPrEP, que propõe ampliar o acesso à medicação fora das unidades de saúde tradicionais. A iniciativa aposta em levar a PrEP para espaços de convivência juvenil, com apoio de educadores pares. “O grande desafio é chegar até quem mais precisa da PrEP, especialmente jovens e populações vulneráveis”, afirma o pesquisador Laio Magno.

A proposta também busca comparar modelos de atendimento. “Queremos entender se uma oferta mais simples, dentro da comunidade, pode ter a mesma efetividade do modelo tradicional”, explica. A pesquisa será realizada em Salvador e São Paulo, com cerca de 1,4 mil participantes.

Hoje, a maioria dos usuários da PrEP na Bahia é formada por homens que fazem sexo com homens, que representam 83,7% do total. Já a faixa etária com maior adesão está entre 30 e 39 anos, o que evidencia uma distância entre o público mais jovem e o acesso à prevenção.

Além de ampliar o alcance, especialistas defendem a necessidade de reduzir barreiras de acesso, combater a desinformação e incentivar o uso contínuo da PrEP como estratégia fundamental no enfrentamento ao HIV no Brasil.