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SUS amplia tratamento da endometriose com novas terapias

Desogestrel e DIU hormonal passam a integrar protocolo de atendimento

Por: Iago Bacelar

14/07/202511:00Atualizado

O Sistema Único de Saúde (SUS) vai incorporar dois novos tratamentos hormonais para mulheres com endometriose. O Dispositivo Intrauterino com levonorgestrel (DIU-LNG) e o desogestrel, um anticoncepcional oral, foram aprovados pela Conitec e passam a fazer parte do protocolo clínico da rede pública. As novas terapias têm o objetivo de aliviar sintomas como dor pélvica crônica e reduzir o avanço da doença.

A endometriose é uma condição inflamatória caracterizada pelo crescimento de tecido semelhante ao endométrio em locais fora do útero, como ovários, intestino e bexiga. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva são afetadas. Os sintomas mais comuns incluem cólicas menstruais intensas, dor durante relações sexuais, infertilidade e alterações intestinais ou urinárias cíclicas.

Como funcionam os novos tratamentos

O DIU-LNG é uma alternativa de longa duração e pode permanecer no organismo por até cinco anos, liberando pequenas quantidades de levonorgestrel. O hormônio atua inibindo o crescimento de tecido endometrial fora do útero e pode ser indicado para pacientes com restrições ao uso de anticoncepcionais combinados.

Já o desogestrel, à base de progestágeno, é um anticoncepcional oral que age bloqueando a ovulação e dificultando a progressão das lesões. O medicamento poderá ser utilizado mesmo antes da confirmação diagnóstica por exames, o que amplia o acesso ao início precoce do tratamento.

Ambas as tecnologias foram recomendadas pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec). A distribuição para a população depende da atualização do protocolo clínico da doença.

Ministro destaca impacto das novas opções

Ao anunciar a medida, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, ressaltou que a decisão representa um passo importante para o cuidado integral das pacientes.

“Estamos falando de garantir cuidado oportuno e eficaz para milhares de mulheres que convivem com a dor e o impacto da endometriose em seu dia a dia”, afirmou. Segundo ele, as novas ofertas simbolizam qualidade de vida para as pacientes e atualização tecnológica do SUS, com base em evidências científicas.

Acesso cresce na rede pública

Dados do Ministério da Saúde revelam que os atendimentos relacionados à endometriose têm aumentado de forma expressiva. Entre 2022 e 2024, os registros na Atenção Primária subiram 30%, passando de 115 mil para quase 145 mil. Já na Atenção Especializada, o número de casos passou de 31 mil para mais de 53 mil, um aumento de 70% no período.

Além das novas terapias, o SUS já oferece medicamentos para controle da dor, como analgésicos e anti-inflamatórios, e procedimentos cirúrgicos nos casos mais graves. Entre eles estão a videolaparoscopia, a laparotomia e a histerectomia, indicadas conforme a complexidade do quadro clínico.

Conheça os principais sintomas e abordagens

A endometriose interfere em diferentes aspectos da vida da mulher, como saúde mental, atividade sexual, relações interpessoais e capacidade de trabalho. O diagnóstico definitivo geralmente ocorre por laparoscopia, mas o reconhecimento clínico e a intervenção precoce são essenciais para evitar complicações.

Com a incorporação do DIU-LNG e do desogestrel, o SUS amplia o leque de possibilidades terapêuticas, permitindo um manejo mais eficiente da doença desde os primeiros sinais. A medida também fortalece a política pública de saúde da mulher e atende à crescente demanda por soluções acessíveis e efetivas no tratamento da endometriose.

SUS amplia tratamento da endometriose com novas terapias
Foto: Geovana Albuquerque / Arquivo Agência Saúde GDF