Spray nasal com insulina mostra potencial no tratamento do Alzheimer
Estudo mostra efeitos em áreas cerebrais ligadas à memória
Por: Victor Hugo
27/07/2025 • 11:00
Um estudo da Universidade Wake Forest, nos EUA, sugere que sprays nasais contendo insulina podem ser promissores no tratamento do Alzheimer. A pesquisa indicou que, ao serem aplicados, esses sprays alcançam diretamente áreas cerebrais essenciais para a memória e a cognição, como o hipocampo e a amígdala.
Resultados iniciais e diferenças entre perfis
Realizado com idosos, o experimento revelou diferenças na absorção da insulina entre indivíduos com e sem sinais precoces da doença, indicando que o estágio do Alzheimer pode influenciar a eficácia do tratamento. O estudo também observou variações na captação da insulina entre homens e mulheres e apontou que a presença da proteína ptau217, associada ao Alzheimer, pode reduzir essa absorção.
Suzanne Craft, uma das responsáveis pela pesquisa, destaca que a resistência à insulina é um fator de risco conhecido para o Alzheimer, embora a relação entre ambos ainda não seja totalmente compreendida. Ela ressalta que o estudo preenche uma lacuna importante ao demonstrar como a insulina intranasal atinge o cérebro, abrindo caminho para validar essa via de administração em terapias neurológicas.
O que é o Alzheimer
O Alzheimer é a forma mais comum de demência em idosos. A doença é caracterizada por uma degeneração progressiva das funções cerebrais, especialmente da memória. Inicialmente, manifesta-se pela perda de memória recente, evoluindo para dificuldades em lembrar fatos antigos, confusão de tempo e espaço, irritabilidade e alterações na comunicação.
Como age a insulina nasal
Publicado na revista Alzheimer’s & Dementia, o estudo envolveu 16 voluntários, que relataram facilidade no uso do spray. A aplicação em múltiplos jatos (seis) permite uma melhor distribuição da substância, alcançando regiões profundas do cérebro. A técnica é vista como um modelo promissor para futuras terapias neurológicas não invasivas.
Os pesquisadores planejam estudos em maior escala para investigar fatores como circulação sanguínea, sexo biológico e presença de proteínas amiloides na eficácia da distribuição da insulina cerebral.
Outra pesquisa reforça uso de spray nasal
Paralelamente, outro estudo da Universidade do Texas, divulgado na revista Science Translational Medicine, também apresentou avanços no combate ao Alzheimer. A pesquisa descreve um spray nasal experimental com nanopartículas capazes de atravessar a barreira hematoencefálica e destruir a proteína tau tóxica. Em testes com camundongos, o medicamento eliminou os emaranhados de tau, sugerindo potencial para frear a progressão da doença e de outras demências. No entanto, essa abordagem ainda está em fase pré-clínica, restrita a modelos animais.
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