Médica alerta para riscos da “harmonização corporal” aos rins
Nefrologista diz que uso de hormônios e diuréticos pode causar danos irreversíveis ao organismo
Por: Domynique Fonseca
09/03/2026 • 17:30
O uso de substâncias para procedimentos estéticos e a busca por resultados rápidos no corpo podem trazer consequências graves para a saúde, especialmente para os rins e o fígado. O alerta foi feito pela nefrologista Dra. Ana Flávia Moura, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia – Regional Bahia (SBN-BA), durante entrevista ao programa Portal Esfera no Rádio, transmitido pela 97,5 FM nesta segunda-feira (9) e apresentado por Luis Ganem.
Segundo a especialista, práticas associadas à chamada “harmonização corporal”, que incluem uso de hormônios, substâncias e até medicamentos sem orientação médica, podem provocar desequilíbrios no organismo e comprometer órgãos vitais.
“Rim e fígado sofrem muito com essas harmonizações, porque na verdade isso é uma desarmonização. O corpo funciona de forma equilibrada. Quando você começa a trazer hormônios ou outras substâncias externas, acaba desequilibrando completamente o funcionamento do organismo”, explicou.
A médica destacou que algumas pessoas recorrem até mesmo ao uso de diuréticos para perder peso rapidamente antes de eventos ou festas, prática que pode ser perigosa.
“Tem gente que passa a semana usando diurético para ficar mais magra antes de um evento. Isso desequilibra completamente o funcionamento do corpo. Não vai trazer prejuízo amanhã, mas pode causar danos a médio e longo prazo, muitas vezes irreversíveis”, afirmou.
Hipertensão e diabetes lideram causas de doença renal
Durante a conversa, a nefrologista também chamou atenção para os principais fatores que levam ao desenvolvimento da doença renal crônica. Entre eles, destacam-se a hipertensão arterial e o diabetes.
De acordo com a especialista, essas doenças provocam danos progressivos aos vasos sanguíneos dos rins, comprometendo a capacidade de filtração do órgão ao longo do tempo.
“Uma pressão persistentemente alta ou uma taxa de açúcar elevada no sangue acaba causando lesões nos vasos dentro dos rins. Com o tempo, isso prejudica a circulação e a filtração do sangue, levando à doença renal crônica”, explicou.
A hipertensão, por exemplo, é bastante comum na população. Segundo a médica, cerca de 30% das pessoas convivem com pressão alta.
Ela ressalta que se trata de uma doença crônica, que não tem cura, mas pode ser controlada com acompanhamento médico e uso correto de medicamentos.
“Uma vez diagnosticada, a hipertensão precisa ser controlada continuamente. Quando a pessoa para de usar a medicação, a pressão volta a subir”, afirmou.
Medicamentos podem proteger os rins
A especialista explicou ainda que alguns medicamentos usados para controlar a pressão arterial também ajudam a proteger a função renal.
Segundo ela, essas medicações atuam reduzindo a pressão dentro dos vasos dos rins, o que diminui o risco de danos ao órgão.
Apesar disso, a eficácia do tratamento também depende de hábitos de vida saudáveis, especialmente em relação à alimentação.
“Se a dieta for muito rica em sal, fica muito mais difícil controlar a pressão. Muitas vezes o paciente precisa usar mais medicamentos por causa do excesso de sódio na alimentação”, concluiu.
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