Número de mortes por câncer colorretal deve disparar até 2030, diz estudo
Diagnóstico tardio e acesso desigual à saúde agravam cenário
Por: Agência Brasil|Redação
19/03/2026 • 09:00
A mortalidade por câncer colorretal no Brasil deve acelerar nos próximos anos, com previsão de quase triplicar entre 2026 e 2030 na comparação com o início dos anos 2000. A estimativa indica cerca de 127 mil mortes no período, frente a 57,6 mil registradas entre 2001 e 2005, segundo estudo publicado na revista científica The Lancet Regional Health Americas.
Os dados mostram avanço mais intenso entre homens, com alta de 181%, enquanto entre mulheres o crescimento projetado é de 165%. No acumulado entre 2001 e 2030, o total de mortes pode ultrapassar 635 mil. A tendência acompanha o aumento da incidência da doença no país.
Segundo a pesquisadora do Instituto Nacional do Câncer (Inca), Marianna Cancela, o cenário reflete o envelhecimento da população e a exposição crescente a fatores de risco, como alimentação baseada em ultraprocessados e baixos níveis de atividade física: “E esse é um risco que tem iniciado cada vez mais cedo, já desde criança. Com isso, a gente vê não só o aumento dos casos de câncer colorretal, como também o aumento de casos em pacientes mais jovens”.
Diagnóstico tardio agrava cenário
Outro obstáculo relevante está na identificação da doença em fases avançadas. Cerca de 65% dos casos são diagnosticados tardiamente, o que reduz as chances de tratamento eficaz. A ausência de sintomas no início e as dificuldades de acesso aos serviços de saúde, especialmente em áreas mais vulneráveis, contribuem para esse quadro. Especialistas defendem a ampliação de exames preventivos e políticas de rastreamento.
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O levantamento também aponta impactos sociais e econômicos associados à mortalidade. Mulheres perdem, em média, 21 anos de vida, enquanto homens perdem 18. Ao longo das três décadas analisadas, o país soma 12,6 milhões de anos potenciais de vida perdidos e prejuízo estimado em Int$ 22,6 bilhões em produtividade.
Embora Sul e Sudeste concentrem a maior parte dos óbitos, Norte e Nordeste devem registrar os maiores aumentos proporcionais, influenciados por desigualdades estruturais e mudanças nos padrões de comportamento da população.
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