Exames simples podem detectar doença renal precoce, diz médica
Presidente da SBN-BA destaca importância do diagnóstico precoce
Por: Domynique Fonseca
09/03/2026 • 12:55 • Atualizado
Mais de 10 mil pessoas realizam hemodiálise na rede pública e privada da Bahia, segundo dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab). O número acende um alerta para a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças renais, que muitas vezes evoluem de forma silenciosa.
O tema foi destaque no programa Portal Esfera no Rádio, transmitido na 97,5 FM nesta segunda-feira (9) e apresentado por Luis Ganem, que recebeu a nefrologista Dra. Ana Flávia Moura, presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia – Regional Bahia (SBN-BA).
Durante a entrevista, a especialista destacou que doenças como diabetes e hipertensão estão entre os principais fatores de risco para o comprometimento da função renal. Na Bahia, entre 8% e 9% da população vive com diabetes. Em Salvador, esse índice chega a 26%, o que contribui para o número elevado de pacientes com problemas nos rins.
Segundo a médica, um dos maiores desafios é que a doença renal crônica costuma evoluir sem sintomas nas fases iniciais, o que dificulta a identificação precoce do problema.
“A doença renal crônica é silenciosa. Muitas vezes as pessoas não incluem nos exames de rotina testes simples que ajudam a identificar alterações precocemente, como a dosagem da creatinina no sangue e o exame de urina. Com esses dois exames, que são baratos e estão disponíveis no SUS, já conseguimos avaliar a função renal e detectar lesões antes mesmo de aparecerem sintomas”, explicou.
Consumo de sal e hábitos alimentares
Outro ponto de atenção destacado pela especialista é o consumo excessivo de sal, diretamente associado ao desenvolvimento da hipertensão, um dos principais fatores que podem levar ao comprometimento dos rins.
De acordo com Ana Flávia Moura, a ingestão diária recomendada de sal é pequena, mas muitas vezes é ultrapassada devido ao consumo de alimentos industrializados.
“Toda a alimentação ao longo do dia pode chegar a cerca de 5 gramas de sal, o que corresponde a aproximadamente 2 gramas de sódio, que é o componente que realmente importa como fator de risco para hipertensão e doença renal”, afirmou.
A médica também desmistificou a ideia de que o chamado “sal rosa do Himalaia” seja mais saudável.
“A diferença é muito pequena. Muitas vezes a pessoa paga mais caro e acaba exagerando na quantidade. O mais importante é controlar o consumo total de sal, inclusive o que já vem nos alimentos industrializados”, destacou.
Hidratação e mitos sobre os rins
Durante a entrevista, a nefrologista também esclareceu dúvidas comuns sobre hidratação e funcionamento dos rins. Segundo ela, não existe um número único de litros de água recomendado para todas as pessoas.
“A quantidade ideal depende de fatores como peso, idade e condições de saúde. O importante é ingerir água de forma equilibrada ao longo do dia, e não concentrar tudo de uma vez”, explicou.
Ela também reforçou que a frequência com que uma pessoa vai ao banheiro não indica necessariamente se o rim está funcionando melhor ou pior.
“Ir mais vezes ao banheiro não significa que o rim está melhor ou pior. Isso é apenas uma consequência do trabalho do rim tentando equilibrar o organismo e eliminar o que está em excesso”, disse.
Uso de medicamentos e suplementação
A especialista também comentou sobre o uso de medicamentos e suplementos populares, como remédios para emagrecimento ou creatina.
Segundo ela, alguns medicamentos podem ter benefícios em determinadas situações, mas precisam sempre de avaliação médica.
“Existem casos em que alguns remédios podem até ajudar na proteção renal, mas a indicação precisa ser feita de forma responsável, considerando riscos, benefícios e o estágio da doença”, afirmou.
Sobre a creatina, muito utilizada por praticantes de atividade física, ela explicou que não há evidências de prejuízo para pessoas saudáveis quando usada de forma adequada.
“Em doses recomendadas, entre 2 e 5 gramas por dia, em pessoas saudáveis e bem hidratadas, não há estudos que associem o uso de creatina à perda da função renal”, explicou.
Prevenção é o melhor caminho
Para manter a saúde dos rins, a médica reforçou que o segredo está no equilíbrio dos hábitos diários.
Entre as principais recomendações estão manter uma alimentação balanceada, controlar o consumo de sal, ingerir água na quantidade adequada, evitar o uso de medicamentos sem orientação médica e realizar exames de rotina.
“O importante é ter equilíbrio. Fazer de forma persistente aquilo que é bom para a saúde e evitar exageros”, concluiu.
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