Luz noturna eleva risco de doenças cardiovasculares, aponta pesquisa
Risco de insuficiência cardíaca e à doença arterial é maior em mulheres
Por: Redação
21/06/2026 • 19:20
Dormir com luzes acesas ou usar telas durante a noite pode elevar consideravelmente o risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares graves em adultos, apontando um aumento de até 56% na probabilidade de insuficiência cardíaca. É o que revela um estudo publicado na revista médica Jama Network Open.
A pesquisa acompanhou 88.905 voluntários do UK Biobank ao longo de um período médio de 9,5 anos, entre junho de 2013 e novembro de 2022.
No início do monitoramento, nenhum dos participantes, que tinham média de idade de 62,4 anos (sendo 56,9% mulheres), apresentava histórico de problemas cardíacos, segundo a “CNN Brasil”.
Leia mais:
Oncologista destaca prevenção e avanços no combate ao câncer
Plano de saúde negou exame ou tratamento? Veja como recorrer
SUS terá novo tratamento para pacientes com tipo grave de leucemia
Para medir com precisão a intensidade de luz nos ambientes habituais dos indivíduos entre 0h30 e 6h, os cientistas utilizaram sensores de pulso semelhantes a relógios durante uma semana.
Aumento expressivo nos riscos
Ao comparar o grupo que passava a noite em total escuridão com os indivíduos expostos aos níveis mais elevados de luminosidade, os pesquisadores mapearam o aumento no risco de cinco condições clínicas distintas:
-
Insuficiência cardíaca: alta de 56%;
-
Infarto do miocárdio (ataque cardíaco): alta de 47%;
-
Doença arterial coronariana: alta de 32%;
-
Fibrilação atrial (arritmia): alta de 32%;
-
Acidente Vascular Cerebral (AVC/derrame): alta de 28%.
Além disso, o estudo constatou ainda que essa associação se mostrou consideravelmente mais forte entre as mulheres no que diz respeito à insuficiência cardíaca e à doença arterial coronariana.
Em complemento, os impactos sobre a insuficiência cardíaca e a fibrilação atrial foram mais acentuados em adultos jovens com menos de 40 anos.
Sensibilidade à luz
Para os autores do estudo, a justificativa provável é que o sistema circadiano perde sensibilidade à luz à medida que o corpo envelhece, deixando os mais jovens mais vulneráveis aos prejuízos da claridade noturna.
Liderada pelo pesquisador Daniel P. Windred, o estudo intitulado: "Exposição à Luz Noturna e Incidência de Doenças Cardiovasculares" reuniu especialistas de instituições científicas da Austrália, dos Estados Unidos e do Reino Unido.
A equipe médica fez questão de isolar outras variáveis tradicionais, comprovando que o risco cardiovascular identificado independe de predisposição genética, qualidade do sono, fatores socioeconômicos, moradia em centros urbanos ou hábitos de estilo de vida, como o consumo de álcool e o sedentarismo.
