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Lesões no quadril crescem com boom do esporte, alertam médicos

Especialistas explicam avanço do impacto femoroacetabular e da artrose

Por: Marcos Flávio Nascimento

27/02/202617:00

O aumento da prática esportiva no Nordeste acendeu um alerta nos consultórios de ortopedia. Segundo os médicos Breno Luz e Caíque Luz, especialistas em cirurgia de quadril e entrevistados do Portal Esfera no Rádio desta sexta-feira (27), cresce o número de pacientes jovens com dores e lesões que antes eram mais associadas ao envelhecimento.

Foto Lesões no quadril crescem com boom do esporte, alertam médicos
Foto: Lorena Bomfim / Portal Esfera

De acordo com Breno, durante muito tempo a principal causa de artrose do quadril era a displasia do desenvolvimento. Hoje, porém, outro diagnóstico tem aparecido com mais frequência. “O impacto femoroacetabular é uma das causas que mais levam à destruição articular”, afirmou.

O chamado impacto femoroacetabular ocorre quando há um choque anormal entre a cabeça do fêmur e o acetábulo, provocando inflamação crônica e desgaste precoce da cartilagem. A mudança no estilo de vida, com mais pessoas adeptas à corrida, crossfit e ciclismo, está diretamente ligada a esse cenário.

“Tem muito paciente que chega dizendo: doutor, dor no quadril. Quando a gente pede a ressonância, está lá o impacto claro”, explicou Breno.

Além disso, nem toda dor no quadril nasce no quadril. Caíque chama atenção para casos em que o problema está na coluna. “Eu recebo muitos pacientes com dor no quadril, mas quando você vai examinar, a origem é na coluna”, destacou. Longos períodos sentado, encurtamento muscular e falta de fortalecimento estão entre os vilões.

 

Preocupação com lesões esportivas

 

O avanço das lesões esportivas também preocupa. “Hoje a gente vê um equilíbrio entre lesões degenerativas e lesões do esporte”, pontuou Breno. Entre os quadros mais comuns estão lesões de labrum, desgaste de cartilagem e tendinopatia do glúteo médio.

Segundo Caíque, 90% das queixas que chegam ao consultório envolvem dor na parte lateral do quadril.

“Muitas vezes é um atleta que aumentou o volume e a intensidade sem acompanhamento adequado”, disse.

Para prevenir, os médicos reforçam a importância do fortalecimento muscular, especialmente do glúteo médio, glúteo máximo e do core abdominal, fundamentais para estabilizar a pelve e proteger o quadril. Também alertam para o risco de fraturas por estresse em quem acelera treinos sem preparação.


Alternativas

 

No tratamento, uma das alternativas é o uso do ácido hialurônico, substância já conhecida na estética, mas com forte evidência científica na ortopedia.

“Os estudos mostram que o ácido hialurônico trata muito bem casos de condropatia e tendinopatias”, afirmou Breno.

O recado dos especialistas é direto: esporte é saúde, mas precisa de orientação e progressão adequada. Sem isso, o que começa como qualidade de vida pode terminar em consultório e, em casos mais graves, até em cirurgia.