Instituto de Cegos da Bahia destaca desafios para manter atendimentos
Representante ressaltou a história da instituição com vários desafios
Por: Domynique Fonseca
06/07/2026 • 12:52 • Atualizado
Há 93 anos, o Instituto de Cegos da Bahia (ICB) presta atendimento gratuito a pessoas com deficiência visual de todas as idades e se tornou referência no estado em ações de prevenção da cegueira, reabilitação e inclusão social. Apesar da trajetória consolidada, a instituição enfrenta desafios para manter os serviços e ampliar sua estrutura. O tema foi abordado nesta segunda-feira (6), durante entrevista da assessora de Captação de Recursos e Marketing do ICB, Consuelo Alban Branco (@consueloalbanbranco), ao programa Portal Esfera no Rádio, na Itapoan 7,5 FM, apresentado por Luis Ganem.
Há 11 anos na instituição, Consuelo explicou que o Instituto é uma organização filantrópica, sem vínculo com os governos estadual ou municipal, e que depende da complementação de recursos para continuar funcionando.
"O Instituto é uma instituição privada, filantrópica. Isso significa que vivemos do SUS, mas precisamos de ajuda todos os dias. Há 93 anos atuamos em Salvador e em todo o estado da Bahia, atendendo qualquer pessoa com deficiência visual que precise dos nossos serviços", afirmou.
Segundo ela, o trabalho desenvolvido vai além do atendimento médico. A instituição oferece acompanhamento multiprofissional, com médicos, terapeutas ocupacionais, psicólogos, assistentes sociais e educadores especializados, buscando promover autonomia e independência às pessoas com deficiência visual:
"O Instituto existe para ajudar as pessoas a terem autonomia e independência. Por meio do trabalho de orientação e mobilidade, elas aprendem a enfrentar a cidade, estudar, trabalhar e viver com mais autonomia."
Reprodução/ ICB
História marcada pela inclusão
Ao relembrar a trajetória do Instituto, a assessora contou que a entidade surgiu em 1933, a partir da iniciativa do professor Alberto de Assis, em um período em que pessoas cegas viviam em situação de abandono nas ruas de Salvador.
Segundo Consuelo, o primeiro passo foi acolher essas pessoas em um casarão no bairro do Barbalho. Com o crescimento da iniciativa, a instituição recebeu um terreno do então prefeito Americano da Costa, onde foi construída a sede atual.
"Naquela época, muitas pessoas com deficiência eram abandonadas pelas próprias famílias. O Instituto nasceu para acolher essas pessoas e oferecer dignidade. Aos poucos, deixou de ser apenas um abrigo e passou a oferecer educação, reabilitação e oportunidades de inclusão", explicou.
Ela lembrou ainda que, durante muitos anos, o local funcionou em regime de internato para crianças e adolescentes com deficiência visual. Com o avanço das políticas de inclusão, o modelo foi substituído por um atendimento voltado à integração familiar e escolar:
"O Instituto acompanhou a evolução da sociedade. Hoje, nosso objetivo é que a pessoa com deficiência visual esteja inserida na escola, no mercado de trabalho e na comunidade, com autonomia e qualidade de vida."
Reprodução/ ICB
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Estrutura precisa de investimentos
Além de manter os atendimentos gratuitos, um dos principais desafios da instituição é a conservação da sede, localizada no Barbalho. De acordo com Consuelo, o prédio, inaugurado há mais de seis décadas, necessita de reformas para atender melhor os pacientes.
"Não tenho vergonha de dizer que é um prédio antigo. Precisamos de ajuda para reformar essa estrutura e adequá-la às necessidades de quem atendemos. Por isso, buscamos o apoio da imprensa e da sociedade para divulgar o trabalho do Instituto e aproximar novos parceiros", disse.
Consuelo também convidou a população a conhecer de perto o trabalho desenvolvido pela entidade. "Quem visita o Instituto entende a dimensão desse trabalho. É uma experiência transformadora. Nosso convite é para que as pessoas conheçam a instituição, acompanhem nossas ações e, dentro das possibilidades, contribuam para que possamos continuar mudando vidas", concluiu.
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