Estudo brasileiro avança na busca por vacina mais eficaz contra a malária
Pesquisadores da Fiocruz identificaram proteínas que podem servir de base para um imunizante mais abrangente
Por: Agência Brasil|Redação
02/07/2026 • 18:30
Cientistas da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) deram um passo importante na busca por uma vacina mais eficiente contra a malária. Em pesquisa publicada na quarta-feira (1º) na revista Nature, a equipe identificou fragmentos de proteínas do parasita Plasmodium que podem servir de base para um imunizante capaz de proteger contra diferentes espécies da doença. O estudo também mostrou a possibilidade de combater o parasita em mais de uma fase da infecção.
Para chegar ao resultado, os pesquisadores analisaram a atuação dos linfócitos T CD8+, células de defesa responsáveis por eliminar células infectadas. Durante o trabalho, foram encontrados 453 peptídeos, pequenos fragmentos de proteínas, ligados a 166 proteínas do parasita. A maior parte deles pertence às chamadas proteínas housekeeping, essenciais para a sobrevivência do Plasmodium em todas as fases do seu ciclo de vida.
"Essas proteínas são necessárias em todos os estágios do ciclo de vida do parasita e altamente conservadas entre diferentes espécies. Isso as torna alvos muito interessantes para uma vacina universal", explica a pesquisadora Caroline Junqueira, da Fiocruz Minas, coordenadora do estudo.
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Na etapa seguinte, os cientistas verificaram se esses fragmentos eram reconhecidos pelo sistema imunológico. Os testes apontaram resposta em pacientes infectados por P. vivax e P. falciparum, além de outras três espécies do parasita. Os experimentos também envolveram primatas e camundongos, com reação das células de defesa no fígado e no sangue. Em alguns modelos animais, houve redução da quantidade de parasitas.
"Não é só reconhecimento: vimos indícios de proteção, o que é fundamental para o desenvolvimento de uma vacina", afirma a pesquisadora.
Vacinas atuais ainda têm limitações
Atualmente, as vacinas disponíveis oferecem proteção parcial, são voltadas principalmente ao P. falciparum e atuam na fase inicial da infecção, com perda de eficácia ao longo do tempo. Segundo Caroline, o novo estudo apresenta uma alternativa ao identificar alvos presentes em vários momentos da doença, atendendo a uma necessidade já apontada pela Organização Mundial da Saúde (OMS). "Hoje, as vacinas não cobrem completamente todas as fases da infecção. Nosso trabalho mostra que esses antígenos estão presentes em vários momentos, o que atende a uma demanda importante da Organização Mundial da Saúde", explicou.
Apesar dos resultados, os pesquisadores ressaltam que a vacina ainda não está pronta. Os alvos identificados precisam passar por novas etapas de validação e por testes clínicos antes de qualquer aplicação em pessoas. "Nosso objetivo foi mostrar que existem caminhos diferentes e promissores. Agora, outros grupos podem explorar esses alvos e avançar no desenvolvimento de uma vacina realmente eficaz contra a malária", concluiu Caroline.
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