Diabetes não se resume ao açúcar, alertam especialistas
Médicos explicam diferenças entre diabetes tipo 1 e tipo 2
Por: Iago Bacelar
26/06/2025 • 11:24
Nesta quinta-feira (26), o Brasil marca o Dia Nacional de Prevenção da Diabetes, data que destaca a importância do diagnóstico precoce e do controle contínuo da doença. Ainda associada, por muitos, ao consumo excessivo de açúcar, a diabetes envolve um conjunto mais amplo de fatores genéticos, comportamentais e ambientais.
A endocrinologista Mirella Miranda, do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que a diabetes tipo 2 é resultado da resistência à insulina associada a uma liberação deficiente do hormônio. Ela afirma que a condição afeta pessoas com predisposição genética, mas também é influenciada por sedentarismo, obesidade abdominal e dietas ricas em alimentos ultraprocessados.
“A diabetes tipo 2 é resultado de uma combinação entre a resistência à insulina e uma deficiência relativa na sua liberação. A doença se manifesta em pessoas geneticamente suscetíveis, mas é influenciada também por fatores como sedentarismo, obesidade abdominal e dieta rica em ultraprocessados”, disse Mirella.
Excesso de açúcar contribui, mas não é o único fator
A médica generalista Carla Caxias, do Laboratório IonNutri, afirma que embora o açúcar seja um fator de risco importante, não é o único responsável pela doença. A combinação entre o consumo frequente de doces, o estilo de vida sedentário e o ganho de peso pode levar à resistência insulínica.
“Existe confusão porque o açúcar é um dos vilões mais visíveis, mas não é o único fator”, afirmou Carla. Mirella Miranda acrescenta que, para pessoas sem predisposição genética e com hábitos saudáveis, o consumo de açúcar isoladamente não desencadeia a doença.
“Além dos doces, outros alimentos preocupantes são bebidas açucaradas, ultraprocessados e itens ricos em gorduras trans e saturadas. Eles favorecem a inflamação, o acúmulo de gordura abdominal e a resistência insulínica”, explicou a endocrinologista.
Fatores de risco e sintomas iniciais da diabetes tipo 2
Além da genética e do estilo de vida, outros fatores que aumentam o risco da diabetes tipo 2 incluem idade acima de 45 anos, pressão alta, colesterol alterado, aumento da circunferência abdominal, síndrome dos ovários policísticos, pré-diabetes, uso de certos medicamentos e histórico de diabetes gestacional.
Os sintomas mais comuns da doença incluem sede excessiva, boca seca, vontade frequente de urinar, cansaço constante, visão embaçada e perda de peso involuntária. Carla Caxias também alerta para infecções recorrentes e feridas de cicatrização lenta como sinais que merecem atenção. Muitas vezes, a diabetes se desenvolve sem apresentar sintomas evidentes, o que reforça a importância dos exames de rotina.
Como funciona a diabetes tipo 1
A diabetes tipo 1 apresenta características diferentes. Costuma surgir na infância ou adolescência e tem origem autoimune, quando o próprio sistema imunológico ataca as células do pâncreas responsáveis pela produção de insulina.
“A resposta autoimune é influenciada por fatores genéticos, mas pode ser desencadeada por vírus, toxinas, alterações na microbiota intestinal ou exposição precoce a certos alimentos”, explicou Mirella. A médica aponta que o aleitamento materno e a introdução tardia do leite de vaca e do glúten exercem papel protetor, segundo estudos recentes.
Medidas simples ajudam a prevenir a diabetes tipo 2
Embora a predisposição genética tenha influência, é possível reduzir o risco da diabetes tipo 2 com mudanças de hábitos. Carla Caxias recomenda alimentação rica em fibras e alimentos naturais, redução dos ultraprocessados, prática regular de exercícios, sono adequado e controle do estresse.
“Começa com escolhas diárias: uma alimentação rica em fibras e alimentos naturais, redução de ultraprocessados, prática regular de exercícios, sono de qualidade e controle do estresse”, afirmou a médica.
Para pessoas com histórico familiar, ela recomenda atenção redobrada e o uso de exames metabólicos avançados, como os testes de saliva, que identificam alterações mesmo antes dos primeiros sintomas. Carla destaca que monitorar o metabolismo e manter o peso adequado são estratégias eficazes na prevenção.
“Manter um peso saudável e monitorar o metabolismo de forma proativa pode reduzir significativamente o risco da doença”, reforçou.
