Casos de hepatite A crescem 54% e acendem alerta no Brasil
Curitiba lidera incidência; avanço preocupa grandes cidades
Por: Victor Hugo
25/08/2025 • 07:00
O Brasil enfrenta um alarmante aumento nos casos de hepatite A, revertendo uma tendência de queda que durou dez anos. O último Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, divulgado em julho, mostra que a taxa de incidência da doença subiu 54,5% entre 2023 e 2024, passando de 1,1 para 1,7 casos a cada 100 mil habitantes.
Historicamente concentrada nas regiões Norte e Nordeste, a doença agora avança em grandes cidades do Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A região Centro-Oeste registrou um crescimento de 350% em apenas um ano. Curitiba é o exemplo mais drástico, com 31,3 casos por 100 mil habitantes, quase 20 vezes a média nacional. Especialistas apontam que a alta densidade populacional e as desigualdades no acesso ao saneamento básico e à vacinação podem estar por trás desse novo padrão urbano.
Transmissão, sintomas e riscos da hepatite A
Causada pelo vírus VHA, a hepatite A é transmitida principalmente pela ingestão de água e alimentos contaminados. O infectologista David Salomão Lewi, do Hospital Israelita Albert Einstein, alerta para o risco da transmissão por meio do sexo anal. "Esse vírus tem um período de incubação que varia de 15 a 50 dias. Então, é possível que muitos indivíduos sequer saibam que estão contaminados e transmitam a infecção para seus parceiros", explica.
Quando os sintomas se manifestam, os mais comuns são fadiga, febre, dor abdominal e icterícia (pele e olhos amarelados). Outros especialistas afirmam que, na infância, a doença costuma ser benigna, mas em adultos pode evoluir para casos mais graves, como a hepatite fulminante, que pode exigir um transplante de fígado.
"Na idade adulta, ela costuma aparecer de maneira mais complexa, com maior risco de se tornar uma hepatite fulminante, que pode exigir transplante hepático e oferecer risco de vida", explica.
Os dados do Ministério da Saúde confirmam que a doença está afetando cada vez mais a população adulta. A incidência entre jovens de 20 a 29 anos dobrou em dez anos, e na faixa de 30 a 39 anos, quase quadriplicou. Em contrapartida, a vacinação de crianças menores de 10 anos, iniciada em 2014, resultou em uma redução de 99,9% nos casos nesse grupo.
Tratamento e prevenção
Não há tratamento antiviral específico para a hepatite A. Segundo David Lewi, os cuidados são sintomáticos, com o uso de medicamentos para aliviar náuseas e dores. O repouso relativo, a dieta balanceada e o isolamento de itens pessoais são recomendados durante a recuperação. A vacina é a principal forma de prevenção. "A vacina contra a hepatite A é altamente eficaz, com efeito duradouro", destaca os médicos.
A vacina é oferecida gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças de 15 meses de idade. A rede pública também disponibiliza o imunizante para pessoas com doenças crônicas no fígado ou condições que causem imunossupressão, como o HIV.
