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Brasil pode liderar revolução mundial contra o HIV

Selos raros: 19 países bloquearam transmissão mãe-filho

Por: Ana Beatriz Fernandez Martinez

04/06/202515:43Atualizado

 

MINISTERIO DA SAUDE
Foto: Walterson Rosa/Ministério da Saúde

O Brasil está em processo de obter uma certificação internacional por ter praticamente eliminado a transmissão vertical do Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), virus que é o causador da Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS)— aquela que ocorre de mãe para filho durante a gestação, parto ou amamentação. O pedido foi formalizado na ultima terça-feira (3), com a entrega de um relatório à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo dados referentes a 2023, menos de 2% dos bebês nascidos de mães vivendo com HIV contraíram o vírus, e a taxa de incidência ficou abaixo de 0,5 caso por mil nascidos vivos. O relatório foi apresentado durante o 15º Congresso da Sociedade Brasileira de Doenças Sexualmente Transmissíveis, realizado no Rio de Janeiro.

Caso obtenha a certificação, o Brasil se juntará a um grupo seleto de apenas 19 países que já alcançaram essa meta. “Esse dossiê mostra que somos o maior país do mundo a atingir esse nível de controle da transmissão vertical”, declarou Padilha. Ele atribuiu a conquista ao empenho dos profissionais da saúde e à reestruturação do Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos anos.

O representante da Opas no Brasil, Cristian Morales, elogiou os avanços e ressaltou que muitas mulheres com HIV agora podem engravidar com segurança. No entanto, ele alertou que a manutenção dessa conquista depende da continuidade dos investimentos em saúde pública.

O Ministério da Saúde também destacou uma queda significativa na mortalidade por AIDS, que atingiu em 2023 seu menor índice desde 2013: 3,9 mortes por 100 mil habitantes. A cobertura do pré-natal superou 95%, com ampla oferta de testes e tratamento para gestantes com HIV.

Entre as principais medidas preventivas adotadas estão a ampliação da Profilaxia Pré-Exposição (PrEP), que já conta com mais de 184 mil usuários em 2025, e a intensificação da testagem rápida combinada para HIV e sífilis durante o acompanhamento pré-natal.