Biossensor criado no Brasil avança na detecção precoce do câncer de pâncreas
Tecnologia utiliza alteração elétrica para identificar proteína associada à doença
Por: Redação
10/05/2026 • 12:17
Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP) desenvolveram um biossensor capaz de identificar sinais de câncer de pâncreas a partir de apenas uma gota de sangue. O resultado sai em cerca de sete minutos. A novidade foi detalhada em um estudo publicado na revista científica ACS Omega.
O dispositivo, semelhante a um pequeno “chip”, combina engenharia de materiais, eletrônica e biotecnologia. A proposta é detectar a proteína CA19-9, biomarcador associado ao câncer de pâncreas. Atualmente, esse tipo de análise costuma depender de exames laboratoriais tradicionais, que exigem estrutura mais robusta e profissionais especializados.
No novo sistema, os pesquisadores organizaram materiais condutores em camadas microscópicas sobre eletrodos de ouro. Quando o sangue entra em contato com o sensor, o biomarcador, se estiver presente, reage com anticorpos fixados na superfície. Essa interação provoca uma alteração elétrica, que é captada e transformada em um sinal mensurável pelo aparelho.
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Segundo os autores do estudo, o biossensor demonstrou seletividade ao diferenciar o marcador tumoral de outras moléculas presentes no sangue, o que reduz o risco de interferências externas no resultado.
Para avaliar o desempenho, o equipamento foi testado em 24 amostras de sangue humano. O grupo incluiu pacientes diagnosticados com câncer de pâncreas em diferentes estágios e indivíduos saudáveis. Os dados obtidos foram comparados ao método Elisa, considerado padrão laboratorial para esse tipo de exame.
De acordo com os resultados apresentados, o biossensor manteve desempenho consistente principalmente em concentrações baixas e moderadas do biomarcador.
