Autodiagnóstico de TEA nas redes preocupa especialistas no Brasil
Neuropsicóloga alerta para riscos e reforça importância da avaliação
Por: Domynique Fonseca
26/03/2026 • 15:30
A psicóloga e neuropsicóloga Thais Riccio foi a entrevistada desta quinta-feira (26) do Portal Esfera no Rádio, na 97,5 FM apresentado por Luis Ganem. Ela alertou para o crescimento do autodiagnóstico impulsionado pelas redes sociais. O tema ganha relevância diante de dados do Reuters Digital News Report 2024, do Instituto Reuters, que apontam que 45% dos brasileiros confiam em informações compartilhadas por influenciadores digitais.
Segundo a especialista, esse cenário tem contribuído para interpretações equivocadas, especialmente em relação ao Transtorno do Espectro Autista (TEA).
“Nem sempre quem está produzindo conteúdo tem qualificação para orientar sobre diagnóstico. O correto é buscar profissionais especializados”, afirmou.
O alerta ocorre às vésperas do Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, período em que o tema ganha maior visibilidade. Reportagens recentes também apontam a circulação de vídeos virais com informações simplificadas, além da oferta de testes online sem validação científica.
Links de influenciadores
Outro ponto de preocupação envolve links divulgados por influenciadores que oferecem supostos autotestes. De acordo com especialistas, essas ferramentas podem ser utilizadas para coleta indevida de dados pessoais e até aplicação de golpes virtuais.
Durante a entrevista, Thais Riccio reforçou que o diagnóstico de transtornos do neurodesenvolvimento exige avaliação criteriosa:
“Nem todo comportamento é autismo ou TDAH. Sintomas podem estar ligados a outras questões, como ansiedade ou até ao uso excessivo de telas."
A profissional também destacou que o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) pode estar associado à ansiedade, especialmente quando há dificuldade em concluir tarefas. No entanto, ela ressalta que essa relação não é automática e depende de análise individualizada.
Ambiente escolar
No ambiente escolar, a neuropsicóloga apontou que é comum que professores e orientadores identifiquem dificuldades de aprendizagem e encaminhem alunos para avaliação. Apesar disso, muitas famílias ainda enfrentam dificuldades para acessar esse tipo de atendimento.
“Geralmente as psicopedagogas encaminham porque sentem essa dificuldade do aluno na sala de aula. Mas não indicam nenhum local para isso”, comentou.
Além da avaliação clínica, o acompanhamento pode envolver uma equipe multidisciplinar, com profissionais como psicopedagogos e especialistas em terapia alimentar, principalmente em casos que envolvem seletividade alimentar.
Thais Riccio também chamou atenção para os impactos do uso excessivo de telas. Segundo ela, a exposição prolongada pode provocar irritabilidade, agitação e dificuldade de concentração, sintomas que podem ser confundidos com transtornos.
“O celular passou a ocupar um espaço constante na rotina, e isso exige limites."
A especialista reforçou que a avaliação profissional é fundamental para um diagnóstico seguro.
“É a partir dela que se consegue compreender o que está acontecendo e definir o melhor caminho de tratamento”, concluiu.
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