Ataque de abelhas: motorista perde controle de caminhão na BR-242
O condutor sofreu apenas escoriações leves
Por: Redação
11/09/2025 • 09:38 • Atualizado
Um motorista de caminhão perdeu o controle do veículo após ser atacado por abelhas que invadiram a cabine, nesta quarta-feira (10), em trecho da BR-242, no município de Castro Alves, no Recôncavo baiano.
O caminhão, carregado com pedras de mármore, saiu da pista e tombou às margens da rodovia. Parte da carga se espalhou pela pista. O condutor sofreu apenas escoriações leves. O veículo, no entanto, ficou destruído. Equipes da Polícia Rodoviária Estadual (PRE) e do Corpo de Bombeiros trabalharam na remoção do material.
Esse não foi um caso isolado. No Ceará, em setembro, um caminhoneiro foi atacado por um enxame de abelhas enquanto dirigia na CE-265, em Catunda. O veículo bateu em um poste e tombou, deixando o motorista com múltiplas picadas. Em Sergipe, em 2022, outro caminhoneiro chegou a receber mais de 90 ferroadas durante um ataque na BR-235, em Frei Paulo.
Crescimento dos acidentes
Embora sejam fundamentais para a polinização e a produção de mel, as abelhas da espécie Apis mellifera, conhecidas como africanizadas, têm protagonizado um aumento expressivo de acidentes no país. Entre 2021 e 2024, os registros subiram 83%, saltando de 18.668 para 34.252 ocorrências. No mesmo período, os óbitos cresceram 123%, chegando a 125 mortes em 2023 número repetido em 2024.
Segundo dados oficiais, em 2023 os ataques de abelhas ultrapassaram pela primeira vez os acidentes com serpentes no Brasil.
O avanço chamou a atenção de pesquisadores da Unesp, que publicaram um estudo na revista científica Frontiers in Immunology. O trabalho classifica os ataques como um problema de saúde pública negligenciado, descreve os efeitos do veneno no organismo humano e analisa possíveis terapias emergentes.
Segundo o pesquisador Osmar Malaspina, especialista em abelhas africanizadas, o comportamento defensivo da espécie é muitas vezes confundido com agressividade. “Quando se sentem ameaçadas, liberam um feromônio que marca a vítima, atraindo outras abelhas para o ataque”, explica.
As africanizadas, resultado do cruzamento entre abelhas europeias e africanas introduzidas no Brasil nos anos 1950, se espalharam pelo país e hoje são responsáveis por grande parte da produção nacional de mel. Cada colmeia pode produzir até 30 kg por ano, contra os 500 ml de espécies nativas, como a jataí.
Na ausência de um tratamento específico, a orientação dos especialistas é evitar movimentos bruscos e não tentar matar as abelhas. O ideal é retirar o ferrão, deixar o local rapidamente e procurar abrigo seguro. “Não gritar, não se debater e não usar inseticidas são medidas que podem evitar complicações maiores”, reforça Malaspina.
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