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“Solidão foi meu portal”, diz mentora sobre vida sem parceiro

Mari Bonavides relata pressão social e fala sobre autovalidação

Por: Domynique Fonseca

27/03/202612:53Atualizado

A pressão social para casar, ter filhos e seguir um modelo tradicional de vida ainda impacta diretamente a forma como muitas mulheres enxergam a própria felicidade. Esse foi o ponto central da entrevista concedida pela criadora de conteúdo, gestora de finanças e mentora de desbloqueio emocional, Mari Bonavides (@maribonavides), ao programa Portal Esfera no Rádio, apresentado por Luis Ganem, na 97,5 FM, nesta sexta-feira (27).

Foto “Solidão foi meu portal”, diz mentora sobre vida sem parceiro
Foto: Lorena Bomfim/ Portal Esfera

Durante a conversa, Mari compartilhou a própria trajetória marcada por relacionamentos, frustrações e um processo profundo de autoconhecimento. Hoje, aos 42 anos, ela afirma ter encontrado equilíbrio emocional mesmo estando solteira, uma condição que, segundo ela, foi difícil de aceitar no passado.

“Eu achava que só era alguém se tivesse alguém do lado. Quando me vi sozinha, perdi a referência de quem eu era”, relatou.

A mentora destacou que o peso das expectativas sociais foi um dos principais gatilhos para o sofrimento emocional. Segundo ela, a comparação com outras mulheres, especialmente amigas que se casaram e tiveram filhos, intensificou a sensação de inadequação.

“Parecia que tinha algo errado comigo. Como se a mulher solteira tivesse um defeito”, afirmou.

Mari também questionou crenças enraizadas sobre felicidade e realização feminina. Para ela, a ideia de que o amor verdadeiro só é vivido dentro de um relacionamento ou da maternidade precisa ser revista.

“Existem mulheres em relacionamentos que se sentem mais sozinhas do que eu”, disse.

Antes de alcançar o que define como “paz”, Mari afirma ter enfrentado um período intenso de sofrimento, com episódios de ansiedade, síndrome do pânico e isolamento social. Em determinado momento, chegou a deixar Salvador e se mudar para Barra Grande, no sul da Bahia, para lidar com o processo longe de julgamentos.

“Todo mundo fala de solitude, mas antes existe a solidão. E foi nela que eu me transformei”, declarou.

A experiência, segundo ela, foi determinante para compreender que a validação externa não resolve questões internas.

“Não é o amor do outro que preenche, é o amor próprio”, completou.

Rompendo os padrões

Mari também relembrou decisões importantes da vida pessoal, como o cancelamento de um casamento já planejado. Na época, ela optou por interromper a união mesmo diante de expectativas familiares e altos investimentos financeiros.

“Não era sobre amor, era sobre ser escolhida. E eu tive coragem de dizer não”, contou.

A gestora de finanças avalia que muitas mulheres permanecem em relações por medo da solidão ou pela necessidade de aprovação. Para ela, romper esse ciclo exige enfrentamento emocional.

Reprodução/ Instagram @maribonavides

Reprodução/ Instagram @maribonavides


A virada de chave levou à criação de um perfil nas redes sociais, em abril de 2025, onde passou a compartilhar experiências e reflexões sobre relacionamentos, autoestima e padrões emocionais.

Segundo Mari, a repercussão foi imediata, com relatos de mulheres que se identificaram com as histórias.

“Eu percebi que não estava sozinha. Muitas estavam vivendo o mesmo, mas em silêncio”, afirmou.

Atualmente em transição de carreira, ela diz que encontrou propósito ao transformar a própria vivência em conteúdo e mentorias voltadas ao público feminino.

Ao longo do bate-papo, Mari reforçou que a solidão, embora dolorosa, pode ser um ponto de partida para mudanças. Para ela, o desafio está em desconstruir padrões aprendidos desde a infância.

“A gente foi ensinada a acreditar que felicidade depende do outro. Mas sustentar uma escolha fora desse padrão exige coragem”, concluiu.