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Salvador está no top 5 das tarifas de ônibus mais caras do Brasil

Passagem custa R$ 5,60 e prefeito Bruno Reis já anunciou novo aumento para 2026

Por: Marcos Flávio Nascimento

30/12/202510:45Atualizado

Salvador entrou no top 5 das capitais brasileiras com as tarifas de ônibus mais altas do país, com a passagem fixada em R$ 5,60, valor que pesa diretamente no bolso de quem depende do transporte coletivo para trabalhar e estudar, e que deve sofrer novo aumento a partir de 2026, conforme anunciou o prefeito Bruno Reis durante coletiva recente. O dado coloca a capital baiana atrás apenas de Florianópolis (R$ 6,90), Porto Velho (R$ 6,00), Curitiba (R$ 6,00) e Belo Horizonte (R$ 5,75), segundo levantamento com dados das capitais brasileiras.

Foto Salvador está no top 5 das tarifas de ônibus mais caras do Brasil
Foto: Ascom / PMS

O reajuste atualmente em vigor foi aprovado pela Agência Reguladora e Fiscalizadora de Serviços Públicos de Salvador (Arsal) e passou a valer em 2 de janeiro de 2025, quando a tarifa saiu de R$ 5,20 para R$ 5,60, um aumento de 7,69% justamente em um período de alta demanda, marcado por verão, festas populares e maior circulação de trabalhadores.

Na prática, o impacto é sentido diariamente por quem utiliza o sistema. Em entrevista ao Portal Esfera, a enfermeira Akauana Xavier, de 25 anos, que depende do ônibus todos os dias para se deslocar pela cidade, afirma que o reajuste compromete diretamente o orçamento de quem vive do próprio trabalho.

O custo mais elevado afeta a rotina de vários trabalhadores e estudantes. Tem gente que simplesmente não consegue mais arcar com a tarifa, porque o salário não acompanha esses aumentos”, relatou.

Crescimento da tarifa na gestão Bruno Reis

Desde o início da gestão do prefeito Bruno Reis, o valor da passagem passou por reajustes sucessivos, consolidando Salvador como a capital com a tarifa mais cara do Nordeste. O discurso oficial costuma associar os aumentos à recomposição de custos e à inflação, mas usuários afirmam que a qualidade do serviço não evoluiu na mesma proporção.

Para Akauana, a conta não fecha. “O valor pago não entrega a qualidade esperada. É um serviço reprovado pela maior parte da população, com ônibus sujos, precários e desconfortáveis”, disse. Segundo ela, problemas como demora excessiva, insegurança e falta de higiene seguem fazendo parte da rotina de quem depende do transporte coletivo.

A percepção demonstra um descompasso entre os reajustes autorizados e a experiência real dos passageiros, sobretudo nos períodos de maior calor.

No verão, andar de ônibus em Salvador é torturante. Falta conforto, ventilação e condições mínimas para quem passa horas dentro dos veículos”, completou.

Usuários buscam alternativas

Diante do cenário, cresce o movimento de migração para outras formas de deslocamento, mesmo que mais caras. Para a enfermeira, a escolha deixa de ser apenas financeira e passa a ser uma questão de saúde e bem-estar.

Com tantas dificuldades no sistema de ônibus, as alternativas acabam se tornando mais viáveis para garantir mais conforto mesmo pesando mais no bolso”, afirmou.

No ranking nacional, Salvador aparece à frente de capitais como São Paulo, Aracaju e Brasília, o que intensifica o debate sobre subsídios, fiscalização e retorno social do valor cobrado.