Professora da UFBA questiona desigualdade nos cachês do Réveillon
Bárbara Carine critica prioridades da gestão e desigualdade nos cachês de artistas
Por: Domynique Fonseca
30/12/2025 • 13:57 • Atualizado
A realização do Réveillon de Salvador voltou ao centro do debate público após críticas feitas pela influenciadora, escritora e professora da Universidade Federal da Bahia (UFBA), Bárbara Carine (@uma_intelectual_diferentona). Em publicação nas redes sociais nesta terça-feira (30), a educadora contestou os altos valores investidos pela Prefeitura de Salvador em festas e apontou diferenças nos cachês pagos a artistas que integram a programação do evento.
No vídeo, Bárbara afirmou que o investimento divulgado, estimado em cerca de R$ 13 milhões, provoca desconforto em parte da população, sobretudo em um cenário marcado por dificuldades cotidianas. Entre os exemplos citados, ela mencionou problemas no transporte público e o reajuste recente da tarifa de ônibus, anunciado no fim do ano.
Para a professora, o debate vai além do entretenimento e envolve escolhas políticas. Segundo ela, a quantidade de eventos promovidos pelo poder público acaba funcionando como uma forma de amenizar a insatisfação social.
“A festa surge quando a vida está difícil”, disse, ao recorrer à metáfora do “pão e circo” para ilustrar o que considera uma estratégia de distração coletiva.
Apelo comercial
Bárbara também chamou atenção para a diferença nos valores pagos aos artistas contratados. Embora tenha reconhecido que a definição dos cachês não seja uma decisão isolada da prefeitura, ela destacou que os números refletem desigualdades estruturais, especialmente quando se comparam artistas de grande apelo comercial com grupos de forte relevância cultural e histórica.
Como exemplo, a educadora citou o Olodum, que, apesar do reconhecimento internacional e da importância para a cultura negra, aparece entre os menores cachês divulgados. O cantor Edson Gomes também foi mencionado como um artista de grande impacto social que, segundo ela, não recebe o mesmo retorno financeiro em eventos desse porte.
A lista de cachês divulgados inclui valores que chegam a R$ 1 milhão para nomes como Jorge e Mateus e Ivete Sangalo. Já artistas e grupos ligados à cultura afro-baiana aparecem com cifras significativamente menores, o que, para a professora, reforça a necessidade de discutir critérios de valorização cultural e prioridades no uso de recursos públicos.
Confira o vídeo:
