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Mototaxistas são presos por agressão e homofobia em Salvador

Dupla é investigada por lesão corporal e injúria racial após ataque

Por: Redação

18/03/202610:20

Dois mototaxistas suspeitos de cometer agressão homofóbica em Salvador foram presos nesta terça-feira (17), quase um mês após o crime registrado durante o período do carnaval. A ação foi realizada pela Polícia Civil na capital baiana.

Foto Mototaxistas são presos por agressão e homofobia em Salvador
Foto: Reprodução/TV Bahia

De acordo com as investigações, os homens, que são irmãos e têm 28 e 31 anos, tiveram mandados de prisão preventiva cumpridos. Eles são investigados por lesão corporal grave, injúria racial e exercício arbitrário das próprias razões.

O caso aconteceu no dia 18 de fevereiro, quando dois foliões contrataram o serviço de mototáxi após deixarem a festa. Ao chegarem ao destino, no bairro do Cabula VI, a situação evoluiu para violência.

Segundo relato das vítimas, o pagamento havia sido combinado em R$ 50 para cada condutor. No entanto, um dos passageiros informou que o celular estava descarregado e pediu alguns minutos para subir até o apartamento e concluir a transferência.

A reação dos suspeitos foi imediata. Conforme as investigações, os mototaxistas iniciaram as agressões físicas e passaram a ofender as vítimas com termos homofóbicos.

Imagens de câmeras de segurança registraram o momento em que os foliões são atingidos com socos e chutes. Em meio à violência, um dos suspeitos ainda tentou arremessar uma pedra contra uma das vítimas, sendo contido pelo próprio irmão e por um morador da região.

 

Vítima relata sequelas físicas e trauma psicológico

 

Quase um mês após o episódio, uma das vítimas ainda enfrenta as consequências da agressão. O homem precisou passar por cirurgia no maxilar e segue em recuperação, com restrições severas na rotina.

“Eu ainda estou abalado, na recuperação pós-cirurgia, sem poder mexer o maxilar. Estou esperando a justiça ser feita”, relatou.

Além das limitações físicas, como alimentação exclusivamente líquida, ele afirma que ainda não se sente preparado para retomar atividades simples do dia a dia, como sair de casa ou frequentar espaços públicos.

O impacto financeiro também pesa. Sem conseguir trabalhar desde o ocorrido, a vítima acumula gastos com exames, medicamentos e deslocamentos, além de lidar com os efeitos emocionais do ataque.

“O trauma é o mais difícil de superar”, desabafou.

 

Suspeitos estão presos e à disposição da Justiça

 

As agressões só foram interrompidas após a intervenção de um vizinho, que chegou a realizar o pagamento exigido pelos suspeitos. A partir do episódio, a polícia conseguiu identificar a dupla.

Com o avanço das investigações, os dois homens foram localizados e presos. Eles foram encaminhados ao sistema prisional, onde permanecem à disposição da Justiça.

O caso é tratado como crime de homofobia, enquadrado como injúria racial desde decisão do Supremo Tribunal Federal, e segue sendo acompanhado pelas autoridades.