Inema atribui contaminação em Paripe a passivo ambiental da Usiba
Diretor do órgão afirma que resíduos teriam sido enterrados antes da operação atual da área
Por: Redação
09/06/2026 • 12:01
A contaminação identificada em uma área de São Tomé de Paripe, no Subúrbio Ferroviário de Salvador, pode ter origem em um antigo passivo ambiental deixado pela extinta operação da Usiba/Gerdau. A informação foi dada pelo diretor-geral do Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos da Bahia (Inema), Topázio Neto.
A declaração foi feita durante entrevista concedida ao líder comunitário Lázaro Conceição, conhecido como Lazinho, em vídeo divulgado nas redes sociais.
De acordo com o gestor, os resíduos encontrados na região teriam sido enterrados durante uma fase anterior de ocupação da área, antes da operação atual do terminal marítimo administrado pela Intermarítima Portos e Logística.
Segundo Topázio, a forma como o local foi utilizado no passado não levava em consideração critérios ambientais que hoje são exigidos pelos órgãos fiscalizadores.
“Aquela área ali, toda ela, como foi feita, ela não foi feita pensada na questão ambiental. Eles começaram a acumular o material e a disposição que fizeram quando venderam a área foi enterrar”, afirmou.
Área segue sob investigação ambiental
O trecho investigado integra o Terminal Marítimo de Granéis, localizado em São Tomé de Paripe e atualmente operado pela Intermarítima.
Nos últimos meses, órgãos ambientais identificaram a presença de substâncias químicas na areia e nos sedimentos da região. Entre os materiais encontrados estão registros de cobre e nitrato, que passaram a ser analisados por equipes técnicas.
As apurações ainda estão em andamento e, até o momento, não há um laudo conclusivo que determine oficialmente a origem da contaminação.
Enquanto os estudos prosseguem, a área permanece sob monitoramento ambiental e com restrições de acesso em determinados pontos.
Responsabilidade ainda será definida
Durante a entrevista, o diretor do Inema destacou que a discussão sobre eventuais responsabilidades legais ainda depende da conclusão dos estudos técnicos e da análise jurídica do caso.
Segundo ele, o assunto está sendo acompanhado em conjunto com o Ministério Público, que participa das investigações sobre a situação ambiental da área.
“É isso que está sendo discutido, porque é uma questão jurídica. Daí a importância da parceria com o Ministério Público. A gente vai ter que avaliar isso”, declarou.
Topázio também ressaltou que as empresas que ocuparam ou ocupam a região possuíam autorizações para funcionamento, fator que deverá ser considerado durante a apuração.
O Inema informou que continuará acompanhando a situação até a conclusão dos laudos técnicos que irão apontar a extensão da contaminação e suas possíveis origens.
Relacionadas
