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Fabio Primo culpa empresários por caos no transporte público em Salvador

Presidente dos rodoviários afirmou ao Portal Esfera no Rádio que empresas descumpriram decisão

Por: Marcos Flávio Nascimento

22/05/202613:11Atualizado

O presidente do Sindicato dos Rodoviários da Bahia, Fabio Primo, responsabilizou os empresários do transporte público pelos transtornos registrados em Salvador durante a greve da categoria nesta sexta-feira (22). Em entrevista concedida ao apresentador Luis Ganem, no programa Portal Esfera no Rádio, na Itapoan FM (97,5), o sindicalista afirmou que as empresas não cumpriram a determinação judicial que previa circulação mínima da frota durante a paralisação.

Foto Fabio Primo culpa empresários por caos no transporte público em Salvador
Foto: Lorena Bomfim / Portal Esfera

Segundo Fabio Primo, a greve foi aprovada pela categoria após uma audiência de mediação no Tribunal Regional do Trabalho da Bahia (TRT-5), mas acabou encerrada ainda pela manhã depois de uma nova proposta apresentada pela Justiça do Trabalho.

“A greve iria acontecer porque foi aprovada pela assembleia soberana da categoria. Depois disso, a desembargadora reformulou a proposta e entendemos, junto ao jurídico, que aquele era o melhor momento para aceitar”, explicou.

Sindicato detalha acordo e critica empresas

De acordo com Primo, a proposta aceita pelos rodoviários garantiu reajuste salarial de 4,11%, aumento no ticket alimentação e mudanças consideradas importantes para as condições de trabalho da categoria.

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Entre os pontos destacados pelo presidente do sindicato estão a redução das jornadas excessivas aos finais de semana, que passam a ser opcionais, além do fim da obrigatoriedade de mulheres trabalharem no período da madrugada.

“A mulher não poderá mais dar pernoite, a não ser que ela queira. Também conseguimos avançar na questão das jornadas excessivas aos finais de semana”, afirmou.

Fabio ainda declarou que a retomada do sistema de transporte ocorreu de forma lenta por falhas operacionais das empresas, e não por ação do sindicato:

“Não houve piquete em nenhuma garagem. Se não teve 60% da frota rodando, foi por irresponsabilidade patronal."

Rodoviários falam em desgaste da categoria

Durante a entrevista, Fabio Primo reconheceu os impactos causados à população, mas defendeu o direito de mobilização dos trabalhadores durante a campanha salarial.

“A gente sabe o prejuízo que é uma greve de ônibus em Salvador. Quem pega ônibus é trabalhador também. Mas todo trabalhador tem sua data-base e seu momento de luta”, declarou.

O sindicalista ainda afirmou que o poder de compra dos rodoviários vem diminuindo diante da inflação e do aumento do custo de vida:

“Você vai ao supermercado, ao posto de combustível, paga escola, água e luz, e percebe que esses índices não refletem a realidade do trabalhador."

Segundo Fabio, o acordo firmado terá validade até março de 2027, quando a categoria iniciará uma nova campanha salarial.

Categoria promete fiscalizar cumprimento do acordo

Fabio Primo também afirmou que o sindicato acompanhará de perto o cumprimento dos pontos acordados com os empresários, especialmente as medidas voltadas às trabalhadoras do sistema.

“Se houver qualquer tipo de retaliação contra mulheres ou descumprimento do acordo, vamos denunciar ao Ministério Público do Trabalho e à Superintendência Regional do Trabalho”, pontuou.

A greve dos rodoviários começou durante a madrugada desta sexta-feira (22) e afetou milhares de passageiros em Salvador. Após assembleia realizada pela manhã, os trabalhadores aprovaram a proposta mediada pelo TRT-5 e decidiram encerrar a paralisação. A retomada da frota ocorreu de forma gradual ao longo do dia.