Engenheiro é acusado de assédio em entrevistas de emprego
Vítimas relatam comportamento inadequado durante reuniões em empresa de Salvador
Por: Redação
24/03/2026 • 09:29 • Atualizado
Duas mulheres denunciaram o engenheiro Vitor Doto Barbosa por assédio sexual durante entrevistas de emprego em Salvador. As denúncias foram reveladas em reportagem da TV Bahia e apontam que os episódios teriam ocorrido dentro da sede da empresa do suspeito, onde ele conduzia as reuniões.
Segundo os relatos, o comportamento do engenheiro incluía comentários de cunho sexual, aproximação física sem consentimento e atitudes consideradas inapropriadas durante os encontros profissionais. Em um dos registros feitos por uma das vítimas, o homem afirma, em tom de brincadeira, que tentou “prosperar no sexo”.
As denúncias foram formalizadas no fim de 2025 na Casa da Mulher Brasileira. Procurado pela reportagem, o engenheiro não se manifestou até a última atualização do caso.
Uma das denunciantes é a professora da rede estadual Priscila Silva. Ela contou que conheceu o suspeito por meio das redes sociais, após ser convidada para participar de um projeto educacional voltado a empreendedores. A reunião ocorreu na empresa do engenheiro, localizada no bairro de Brotas.
Durante o encontro, segundo a professora, o teor da conversa mudou de profissional para pessoal. Ela afirma que, ao questionar sua capacidade para liderar o projeto, ouviu do engenheiro que sua aparência seria um fator relevante, além de declarações de que ele estaria “desconcertado” e “excitado” durante a conversa.
Ainda de acordo com o relato, em determinado momento, o suspeito a conduziu até um banheiro sob a justificativa de apresentar ideias anotadas nas paredes. No local, teria retirado a camisa. A professora afirmou que deixou o ambiente logo em seguida.
Outra mulher, que preferiu não se identificar, também relatou situação semelhante. Atuante na área de marketing, ela disse ter se sentido constrangida por olhares, elogios e contatos físicos durante a reunião. Ao final do encontro, o engenheiro também a levou ao banheiro e repetiu o comportamento de retirar a camisa.
Segundo essa vítima, o homem insistiu em prolongar a reunião mesmo após ela demonstrar desconforto. Ela relatou ainda que houve tentativa de aproximação física e declarações de cunho sexual.
Os depoimentos indicam um padrão de conduta: as reuniões eram realizadas na sede da empresa, iniciadas em uma sala no primeiro andar e seguidas por um suposto tour pelas instalações, que terminava no subsolo, onde fica o banheiro utilizado nos episódios relatados.
Após as experiências, as duas mulheres decidiram não dar continuidade aos projetos. A professora afirmou ainda ter recebido mensagens e vídeos do suspeito pelas redes sociais com conteúdo considerado inadequado.
O advogado das vítimas informou que os casos tramitam nas esferas criminal e cível, incluindo pedidos de indenização por danos morais.
De acordo com o Tribunal de Justiça da Bahia, o engenheiro já respondeu anteriormente a um processo por violência doméstica envolvendo uma ex-companheira.
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