Cobrança em aeroporto gera reação e pressão política em Salvador
Sistema Kiss & Fly levanta debate sobre direitos do consumidor e mobilidade urbana
Por: Marcos Flávio Nascimento|Lucas Vieira
09/04/2026 • 14:05 • Atualizado
A implementação do sistema Kiss & Fly no Aeroporto Internacional de Salvador permanece em repercussão no meio político. A proposta, que prevê cobrança para embarque e desembarque no meio-fio após 10 minutos, entrou em fase de testes e já mobiliza críticas e articulações institucionais.
Na Câmara Municipal, o vereador André Fraga (PV) defendeu a suspensão da medida. Para ele, a cobrança é incompatível com a realidade da população.
“Não faz sentido cobrar para deixar alguém no aeroporto. Como fica uma pessoa com deficiência ou um idoso?”, questionou.
O parlamentar também levantou dúvidas sobre a legalidade da operação, citando a ausência de alvará e a responsabilidade do município sobre o uso do solo.
Ainda segundo Fraga, há insatisfação com a falta de diálogo por parte da concessionária responsável pela administração do terminal. “Das vezes que buscamos contato, tivemos respostas evasivas. Falta transparência com a cidade”, afirmou, ao indicar que estuda medidas legislativas sobre o tema.
Análise do modelo
Já na Assembleia Legislativa da Bahia, o debate deve avançar pela Comissão de Defesa do Consumidor. O deputado Júnior Muniz (PT) afirmou que o modelo será analisado sob diferentes aspectos:
“É uma temática nova para a Bahia. Vamos tratar tanto das relações de trabalho quanto das garantias legítimas do consumidor."
O sistema utiliza cancelas automáticas com leitura de placas e estabelece um tempo limite gratuito. Após esse período, haverá cobrança, cujo valor ainda não foi divulgado e deve passar a valer após a fase de testes.
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O que diz a concessionária
A proposta é defendida pela concessionária como uma forma de organizar o fluxo de veículos no terminal. No entanto, críticos apontam possíveis impactos para os usuários, especialmente diante de fatores como atrasos de voos e tempo de espera, que fogem ao controle de quem utiliza o serviço.
Com o tema ganhando força no debate público, a tendência é que o Kiss & Fly avance para discussões mais amplas, envolvendo legislação, fiscalização e direitos dos usuários do sistema aeroportuário. Procurada, a assessoria da VINCI Airports ainda não se pronunciou.
