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Cercado de polêmicas, Kiss & Fly entra em fase de testes em Salvador

Admnistrado pela Vinci Airports, aeroporto passará a limitar e cobrar permanência no meio-fio

Por: Redação

08/04/202611:56Atualizado

O polêmico sistema Kiss & Fly, que irá cobrar pelo embarque e desembarque de passageiros no meio-fio, entra em funcionamento no Aeroporto de Salvador nesta quarta (8) em fase de testes.

Foto Cercado de polêmicas, Kiss & Fly entra em fase de testes em Salvador
Foto: Divulgação

O novo modelo utiliza cancelas automáticas com leitura de placas e estabelece um tempo máximo gratuito de 10 minutos para parada rápida, com cobrança em valor que ainda será estipulado e que entrará em vigor em junho, quando for finalizada a etapa de testes.

No Brasil, apenas os aeroportos de Fortaleza e Viracopos utilizam o modelo. Os principais terminais do país, como Galeão, Guarulhos e o Aeroporto de Brasília, não possuem qualquer tipo de cobrança semelhante.

Valor alto para o usuário

De acordo com a VINCI Airports, que administra o Aeroporto Luís Eduardo Magalhães e outros 7 aeroportos no Brasil, a intenção da implementação é de organizar o fluxo para acesso ao terminal.

O CEO da empresa no Brasil, Júlio Ribas, afirmou em entrevista coletiva que o sistema tem caráter educativo e não arrecadatório, mesmo que não tenha revelado qual será o valor a ser pago por quem ultrapassar o limite imposto.

"Quem critica o projeto está focando nos que desrespeitam, mas não está pensando no direito das pessoas de terem uma área segura para parar, desembarcar e seguir viagem. Os 10 minutos iniciais são suficientes, mas haverá monitoramento e ajustes conforme a realidade", disse.

Curiosamente, nenhum dos outros terminais sob concessão da empresa no país utilizam ou possuem planos de implementar o serviço, que está em vigor em alguns aeroportos de Portugal e da França que são regidos pela VINCI.

Em Salvador, a proposta, que já passou por diversos entraves legais, tem desagradado motoristas e a população soteropolitana, que aponta diversos fatores, como por exemplo o atraso de aeronaves, como possíveis limitantes para uma cobrança justa.

"Se o avião atrasar, a culpa é de quem? Do aeroporto ou minha? E aí eu que vou ter que pagar por esse atraso? A cobrança vem pra mim? E isso que nem se sabe ainda quanto vai custar. Não me parece justo", afirmou o motorista de aplicativo Daniel Moraes.

Para "mitigar" esse problema, a Vinci aponta que os motoristas poderão usar o estacionamento do aeroporto ao invés de esperar no meio-fio. Com tarifas que começam nos R$ 30 por até 1 hora, o equipamento é visto como mais uma forma de arrecadar da concessionária, mas com um repasse exarcebado para o usuário.

"Alguém da política precisa ver isso. Viajar já custa caro e agora o aeroporto ainda aumenta o custo disso. Não tem cabimento nenhum essa cobrança e querer forçar que quem vai buscar um parente, que pode atrasar simplesmente pela demora na entrega da mala, a pagar um valor desse", disse o psicológo Victor Ortega.

Segundo a concessionária, os veículos ligados aos órgãos públicos (devidamente identificados), autoridades aeroportuárias e veículos em operação, como bombeiros, ambulâncias e polícia, terão isenção de tarifa.

Na mira do poder público

O vereador André Fraga (PV), que criticou o estado da manutenção do Aeroporto, afirmou que o assunto tem sido observado com atenção no plenário da Câmara de Salvador.

"O serviço que a Vinci oferece é ruim e agora vem com uma nova cobrança. Se o avião atrasa, você não consegue se planejar em relação a quanto tempo você vai esperar. Então já pedimos o acompanhamento do Ministério Público e vamos lutar para que essa cobrança não seja realizada", afirmou à TV Câmara

Já na ALBA, o assunto foi levantado pelo deputado Diego Castro (PL), que afirmou que levará o caso, que categorizou como "abusivo", para a Comissão de Defesa do Consumidor da casa.

O Portal Esfera tentou o contato com os dois políticos para ver em que pé está o assunto e irá atualizar a nota assim que houver uma posição.