Hipertensão ameaça rins; veja como se proteger
Pressão alta é fator de risco para doença renal crônica
Por: Gabriel Pina
01/07/2025 • 10:00
Frequentemente associada a problemas cardiovasculares, a pressão arterial alta também se revela como o principal fator de risco para doença renal crônica no Brasil. Quando não controlada adequadamente, a hipertensão pode, de forma progressiva e assintomática, danificar os rins.
Segundo a nefrologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Dra. Andrea Pio de Abreu, algumas medidas são essenciais para preservar a saúde renal em pacientes hipertensos.
“A medida da pressão arterial no consultório regularmente é importante, principalmente porque o(a) médico(a) poderá avaliar os casos em que não basta medi-lá no consultório, sendo necessário medir fora dele também, como a Medida Ambulatorial da Pressão Arterial (MAPA) ou Medida Residencial da Pressão Arterial (MRPA). Muitos pacientes têm a chamada hipertensão mascarada, que só aparece fora do ambiente médico”,
Outra ação importante a ser tomada para verificar a saúde dos rins é a realização de exames periodicamente.
“A creatinina e o exame de urina são os principais marcadores que indicam se os rins estão funcionando bem. Com a creatinina, pode-se calcular a taxa de filtração glomerular do paciente, que estima sua função renal. Já no exame de urina é possível avaliar a presença de proteína ou albumina, o que é um marcador precoce da lesão renal. Pacientes hipertensos devem fazer esses exames a cada seis meses, ou pelo menos uma vez por ano”, alerta a doutora.
Além disso, a atenção à alimentação e a prática esportiva é fundamental. Segundo Andrea, um dos maiores vilões tanto para a pressão alta, quanto para a saúde dos rins.
“O excesso de sal aumenta diretamente a pressão arterial. Evitar temperos industrializados, embutidos, enlatados e fast foods é fundamental para quem quer proteger os rins”.
Ainda sobre a alimentação, a médica alerta para a o agravamento do quadro a partir de maus hábitos alimentares.
“Obesidade, sedentarismo e estresse crônico agravam a hipertensão. A boa notícia é que hábitos saudáveis têm efeito direto na preservação da função renal. O recomendado é pelo menos 150 minutos semanais de atividade aeróbica”.
Por fim, a nefrologista faz um alerta para a importância de seguir corretamente o tratamento para a hipertensão.
“Muitos pacientes param de tomar os remédios quando se sentem bem, mas a hipertensão é uma doença crônica e precisa de controle contínuo. Abandonar o tratamento pode acelerar o dano renal”.
