TSE suspende pesquisa AtlasIntel por "indução ao leitor" contra Flávio Bolsonaro
Pesquisa teria influenciado negativamente percepção sobre o parlamentar
Por: Redação
08/06/2026 • 14:30
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) determinou a suspensão da divulgação de uma pesquisa eleitoral da AtlasIntel/Bloomberg que apontava queda do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em um cenário de disputa presidencial. A decisão liminar foi assinada pelo ministro Nunes Marques, presidente da Corte e relator do caso.
A medida atende a uma representação apresentada pelo Partido Liberal (PL), que questionou a metodologia utilizada no levantamento divulgado em 19 de maio. Segundo a legenda, o questionário teria sido elaborado de forma a influenciar negativamente a percepção dos entrevistados sobre o parlamentar.
Na ação, o partido argumentou que a sequência das perguntas e a associação entre Flávio Bolsonaro e o empresário Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, poderiam comprometer a imparcialidade da pesquisa.
O levantamento foi divulgado após a repercussão de conversas envolvendo o senador e Vorcaro relacionadas a um pedido de financiamento para o filme Dark Horse.
Ministro vê indícios de possível indução
Ao analisar o pedido, Nunes Marques afirmou que existem elementos que sugerem uma possível contaminação das respostas dos entrevistados.
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Entre os pontos destacados pelo magistrado está a utilização de um áudio ligado a uma investigação, recurso que, segundo a decisão, pode ter influenciado a formação da opinião dos participantes da pesquisa.
O presidente do TSE ressaltou que a suspensão tem caráter cautelar e não representa, neste momento, uma conclusão definitiva sobre a validade ou não do levantamento.
Na avaliação do ministro, a controvérsia ultrapassa uma simples divergência metodológica e envolve a possibilidade de o questionário ter sido utilizado como mecanismo de indução de respostas.
AtlasIntel terá que apresentar esclarecimentos
A decisão também determina que a AtlasIntel apresente documentação técnica complementar para demonstrar a regularidade da metodologia adotada, especialmente em relação ao uso do material em áudio.
Outro ponto mencionado por Nunes Marques é que, em 27 pesquisas registradas anteriormente pela empresa junto ao TSE, não foram identificadas perguntas semelhantes nem a utilização desse tipo de recurso.
O Ministério Público Eleitoral também foi intimado a se manifestar sobre o caso em prazo reduzido. Posteriormente, a decisão cautelar ainda deverá ser submetida ao referendo da Corte.
Diferença entre levantamentos chamou atenção
Na pesquisa divulgada em abril, Flávio Bolsonaro aparecia tecnicamente empatado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em uma simulação de segundo turno. Na ocasião, o senador registrava 47,8% das intenções de voto, enquanto Lula somava 47,5%.
Já no levantamento divulgado em maio, o cenário mudou significativamente. Lula passou a aparecer com 48,9%, enquanto Flávio Bolsonaro caiu para 41,8%, uma diferença de cerca de seis pontos percentuais em relação à pesquisa anterior.
Ao acionar o TSE, o Partido Liberal sustentou que a estrutura do questionário teria comprometido a neutralidade da sondagem, afetando diretamente os resultados apresentados ao público.
