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Toffoli frequentou resort no PR por 168 dias; segurança custou R$ 548 mil

Gastos com escolta pagos pelo TRT levantam questionamentos sobre uso de recursos públicos

Por: Redação

22/01/202612:16

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), esteve ao menos 168 dias no Resort Tayayá, localizado em Ribeirão Claro, no norte do Paraná, desde dezembro de 2022. O período equivale, na prática, a uma média de um a cada sete dias passados no local. As despesas com a segurança do magistrado nessas estadas consumiram R$ 548,9 mil dos cofres públicos.

Foto Toffoli frequentou resort no PR por 168 dias; segurança custou R$ 548 mil
Foto: Divulgação/Rosinei Coutinho/STF

Os dados foram levantados a partir de registros de diárias pagas pelo Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (TRT-2), sediado em São Paulo. Embora o resort esteja fora do estado paulista, é o TRT-2 que costuma deslocar equipes para garantir a escolta do ministro durante as visitas ao empreendimento.

As descrições das despesas disponíveis no sistema do tribunal indicam claramente a finalidade das viagens. Em uma das notas, consta a informação de que os agentes foram enviados para “prestar apoio em segurança e transporte para autoridade do Supremo Tribunal Federal, na cidade de Ribeirão Claro”.

Normalmente, quatro ou cinco agentes são destacados para a missão. Em períodos mais longos, as equipes se revezam para manter a segurança durante toda a permanência do ministro no local.

Relação com o resort

Funcionários do Tayayá afirmam que Toffoli seria, na prática, o verdadeiro proprietário do resort, apesar de a venda formal do empreendimento ter sido registrada em abril de 2025, quando o advogado Paulo Humberto Barbosa passou a figurar como dono. Após a negociação, Toffoli voltou ao local sete vezes, permanecendo 58 dias no total.

Barbosa é sócio de executivos ligados à J&F, grupo empresarial dos irmãos Joesley e Wesley Batista, informação que também chama atenção no contexto das frequentes visitas do ministro ao resort.

No fim de 2025, o Tayayá foi inteiramente reservado para uma festa privada que contou com apresentação de grupo de samba e a presença do ex-jogador Ronaldo Fenômeno.

Procurado para se manifestar sobre os gastos e o envio das equipes de segurança, o TRT-2 não respondeu até a publicação desta reportagem.

Estrutura e atrações

A ligação de Toffoli com o Tayayá é conhecida na região. Em Ribeirão Claro, o empreendimento é popularmente chamado de “resort do Toffoli”. No local, o ministro mantém uma lancha, atracada no píer, e utiliza uma residência de uso exclusivo em uma área reservada para hóspedes de alto padrão, denominada “Ecoview”.

Entre as atrações oferecidas pelo resort está um espaço de jogos, com máquinas eletrônicas e mesas para partidas de cartas, como o blackjack. No Paraná, as máquinas são classificadas como “vídeo loteria”, modalidade permitida pela legislação estadual. Já jogos de azar com apostas em dinheiro, como o blackjack, são proibidos no Brasil.

O ambiente reproduz a estética de cassinos internacionais, com iluminação artificial, carpetes e luzes de neon, o que reforça as discussões sobre a legalidade e a fiscalização das atividades oferecidas no local.