Setor produtivo defende que votação da 6x1 no Senado ocorra após as eleições
Empresários apontam impacto econômico e trabalhista da medida para justificar pedido
Por: Redação
29/05/2026 • 14:14
Empresários e senadores da oposição pressionaram o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), para que a PEC que prevê o fim da escala 6x1 não seja votada antes das eleições. A articulação ocorreu durante reunião realizada nesta terça-feira (26), em meio ao avanço da proposta no Congresso Nacional.
Representantes do setor produtivo defenderam que a tramitação ocorra de forma mais lenta e com maior aprofundamento técnico, evitando uma votação acelerada em período eleitoral. O grupo também pediu que o debate seja transferido para depois das eleições, diante do impacto econômico e trabalhista da medida.
O senador Rogério Marinho (PL-RN), líder da oposição no Senado e coordenador da pré-campanha presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), participou do encontro e afirmou que houve um apelo para que a discussão não aconteça “a toque de caixa”.
“Foi pedido que houvesse mais tempo para ser discutido e, principalmente, que essa discussão não acontecesse em período eleitoral, quando muitas vezes se perde a racionalidade”, declarou o parlamentar. Segundo ele, o texto atual pode trazer consequências negativas para o país.
Embora a PEC ainda precise ser aprovada pela Câmara dos Deputados, empresários buscam ampliar o prazo de transição previsto no texto e contam com apoio de Alcolumbre para desacelerar a tramitação no Senado.
A proposta foi negociada entre o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O texto prevê a redução da jornada semanal de trabalho de 44 para 40 horas, além da implementação de dois dias de folga por semana já neste ano, com período de transição de 14 meses.
Após a reunião, o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, afirmou que Alcolumbre ouviu as preocupações do setor produtivo e reconheceu a complexidade do tema.
“O presidente ouviu com atenção e entendeu que é um assunto complexo, que precisa ser debatido com profundidade, serenidade e responsabilidade”, afirmou.
Segundo Skaf, participaram do encontro representantes da indústria, comércio, agricultura, setor de serviços, bares, restaurantes e shopping centers de diferentes regiões do país.
O empresário também criticou a velocidade da tramitação na Câmara dos Deputados e disse esperar uma postura mais cautelosa por parte do Senado.
Nos bastidores, aliados do setor produtivo também articulam para que Alcolumbre escolha um relator que não dispute a reeleição neste ano, evitando influência direta do calendário eleitoral sobre a condução da proposta.
No Senado, a tramitação começará pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), presidida pelo senador Otto Alencar (PSD-BA), aliado do governo Lula.
Caso o Senado faça alterações no texto aprovado pela Câmara, os pontos divergentes precisarão retornar para nova análise dos deputados antes da promulgação da PEC.
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