Margareth Menezes defende Marina Silva: 'Não passarão'
Ministra abandona audiência após falas desrespeitosas e misóginas e recebe apoio do Governo
Por: Iago Bacelar
28/05/2025 • 10:51 • Atualizado
Ministras do governo federal saíram em defesa de Marina Silva depois de ataques e ofensas feitos por senadores durante audiência na Comissão de Infraestrutura do Senado, que ocorreu nesta terça-feira (27). A ministra do Meio Ambiente abandonou a sessão após ser desrespeitada e ter o microfone cortado.
Desrespeito à ministra no Senado
Durante a audiência, o senador Plínio Valério afirmou que “a mulher merece respeito, a ministra não”. Marina Silva pediu desculpas formais, que não foram concedidas, e se retirou. Ela lembrou ainda que o mesmo senador já havia dito em outra ocasião que desejava “enforcá-la”. Ao final do encontro, Marina reafirmou sua posição.
“Sou ministra de Meio Ambiente, foi nessa condição que eu fui convidada e ouvir um senador dizer que não me respeita como ministra, eu não poderia ter outra atitude”, disse Marina Silva.
Ministras reagem com indignação e defendem colega
A ministra da Igualdade Racial, Anielle Franco, afirmou que a situação vivida por Marina não é nova. “Sinto profundamente cada gesto de desrespeito como se fosse comigo. Porque é com todas nós”, escreveu. Ela também destacou a amizade entre ambas.
A ministra Sonia Guajajara lembrou o histórico de Marina Silva no Senado. “A reação contra sua figura fere as mulheres e o governo”, disse. Sonia ressaltou ainda que Marina tem conhecimento profundo sobre a questão ambiental e está qualificada para ser ministra.
A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, classificou os ataques como “absurdos” e cobrou responsabilização. “Ela foi desrespeitada e agredida como mulher e como ministra por diversos parlamentares. Em março, um deles já havia inclusive incitado a violência contra ela”, afirmou Márcia.
“É preciso que haja retratação do que foi dito naquele espaço e que haja responsabilização para que isso não se repita”, concluiu.
A ministra Margareth Menezes também reprovou os ataques e prestou solidariedade. “Toda a minha solidariedade à ministra Marina Silva, alvo de mais um episódio inaceitável de violência política. É revoltante assistir ao desrespeito e à tentativa de silenciamento de uma mulher”, afirmou.
Margareth considerou que os ataques foram mais do que divergências políticas. “Foi misoginia, machismo. É a repetição de uma lógica que tenta diminuir, humilhar e constranger mulheres que ocupam espaços de poder e decisão”, disse.
"Marina não está sozinha, seguiremos juntas, firmes. Não passarão. Toda a minha solidariedade à ministra Marina Silva, alvo de mais um episódio inaceitável de violência política. É revoltante assistir ao desrespeito e à tentativa de silenciamento de uma mulher", concluiu Margareth.
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, classificou como “inadmissível” o comportamento dos senadores. “Totalmente ofensivos e desrespeitosos com a ministra, a mulher e a cidadã. Manifestamos repúdio aos agressores e total solidariedade do governo do presidente Lula à ministra Marina Silva”, escreveu Gleisi.
Para a ministra Esther Dweck, do Ministério da Gestão e Inovação em Serviços Públicos, o caso é inaceitável. “As palavras que Marina teve que ouvir são inaceitáveis. Isso não pode ser normalizado”, disse. Ela defendeu justiça e urgência para que atitudes como essas sejam coibidas.
A ministra do Planejamento, Simone Tebet, também reforçou o pedido por responsabilização. “Que atitudes como essas encontrem justiça - de forma clara, firme e urgente”, declarou.
Lula e Janja também manifestam apoio
Após a audiência, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou para Marina e disse ter sentido um “mal-estar” ao ver as imagens do embate. Ele considerou correta a decisão da ministra de se retirar da audiência e reforçou apoio à atuação dela.
A primeira-dama Janja da Silva utilizou as redes sociais para repudiar as agressões e enaltecer a trajetória de Marina. “Sua bravura nos inspira e sua trajetória nos orgulha imensamente. Uma mulher reconhecida mundialmente por sua atuação com relação à preservação ambiental jamais se curvará a um bando de misóginos que não têm a decência de encarar uma ministra da sua grandeza”, escreveu.
Contextualização do embate
Marina Silva participou da audiência na Comissão de Infraestrutura para tratar da criação de quatro unidades de conservação marinhas no Amapá. O tema gerou conflito, com senadores questionando o impacto dessas áreas sobre a exploração de petróleo e o desenvolvimento econômico do estado.
O senador Lucas Barreto, que pediu o convite à ministra, criticou a criação das unidades, alegando que isso limitaria as oportunidades de crescimento para o Amapá. Marina destacou que a criação das unidades visa proteger populações tradicionais e não impede a pesquisa e exploração de petróleo em águas profundas.
“A criação da unidade de conservação no Amapá não incide sobre os blocos de petróleo e não foi criado agora para inviabilizar a Margem Equatorial”, afirmou.
Ela explicou que o processo para criar as áreas de conservação começou em 2005 e visa proteger comunidades como ribeirinhos e indígenas. O senador Omar Aziz defendeu a exploração petrolífera com tecnologia nacional e criticou a demora na liberação de licenças ambientais.
Marina ressaltou que o Ministério do Meio Ambiente atua de forma técnica e destacou a atuação do Ibama, que autorizou mais de 1.250 licenças ambientais entre 2023 e 2025. A Petrobras também ajustou seus planos para atender às exigências de licenciamento.
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