Eduardo Bolsonaro compara restrições a redes sociais no Brasil com censura internacional
Deputado critica decisões do STF sobre uso das redes sociais por opositores
Por: Iago Bacelar
22/07/2025 • 13:49
O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e comparou o Brasil à Venezuela ao falar sobre as restrições impostas ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Segundo ele, o Brasil já estaria em condição mais severa que o regime comandado por Nicolás Maduro, especialmente no que diz respeito à liberdade de expressão nas redes sociais.
A declaração foi publicada nesta terça-feira (22), em sua conta na plataforma X (antigo Twitter), na qual o parlamentar afirmou que a situação brasileira se assemelha, ou até ultrapassa, o que ocorre com opositores no regime venezuelano.
Comparações com líder opositora da Venezuela
Eduardo usou como exemplo a opositora María Corina Machado, que mesmo vivendo sob um regime considerado antidemocrático, segundo ele, ainda pode se manifestar livremente nas redes sociais.
“Reparem que María Corina não foi proibida de usar redes sociais e segue criticando a perseguição à oposição ativamente. No Brasil, por outro lado, Jair Bolsonaro e muitos outros já não podem mais fazer nem isso. Sob muitos aspectos, o Brasil já é pior do que a Venezuela”, escreveu o deputado.
No restante da publicação, Eduardo reforçou que seu pai sofre perseguição política e que a Justiça brasileira aplica sanções mais rígidas do que países frequentemente criticados por repressão a opositores.
Investigação da PF aponta articulações com autoridades dos EUA
A Polícia Federal investiga Eduardo e Jair Bolsonaro por supostamente atuarem junto a autoridades governamentais dos Estados Unidos na tentativa de obter sanções contra agentes públicos brasileiros. A acusação consta no processo da Ação Penal nº 2668, que apura a participação do ex-presidente em uma suposta trama golpista.
De acordo com a PF, pai e filho atuaram de forma consciente e ilícita, tentando influenciar o funcionamento do STF por meio de negociações internacionais. O relatório afirma que houve tentativa de obstrução à Justiça e coerção à Corte brasileira por meio de atos considerados hostis.
A operação foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes. Como resultado, Jair Bolsonaro foi submetido a uma série de restrições judiciais, incluindo o uso de tornozeleira eletrônica, proibição de uso de redes sociais, de contato com embaixadores e de acesso a sedes diplomáticas.
Eduardo defende sanções contra Moraes, não contra o Brasil
Em suas declarações, Eduardo afirma que seu objetivo ao dialogar com autoridades norte-americanas não era atingir o Brasil com sanções econômicas, mas, sim, buscar punições individuais contra Alexandre de Moraes.
“Não podemos assistir calados enquanto ele destrói nossas liberdades e lança todos nós no caminho da miséria e da desgraça. Temos que lutar enquanto ainda há tempo”, escreveu Eduardo.
Em outro trecho, ele afirmou que o ministro do STF tem “mente autoritária” e compactua com ações que classificou como antidemocráticas, semelhantes às de Nicolás Maduro.
Contexto internacional também é citado
O deputado citou que, apesar das denúncias contra o regime de Maduro, a comunidade internacional solicitou a apresentação das atas eleitorais da Venezuela, mas não obteve resposta. Para Eduardo, o mesmo tipo de silêncio e opressão estaria sendo imposto no Brasil, agora pelo Judiciário.
