CPMI do INSS aprova quebra de sigilos de Lulinha após citações em investigação
Comissão quer rastrear suposta mesada e possíveis vínculos com esquema de desvios no INSS
Por: Redação
26/02/2026 • 12:38 • Atualizado
A CPMI do INSS aprovou nesta quinta-feira (26) a quebra de sigilos bancário e fiscal de Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A medida amplia o alcance das investigações sobre o esquema de desvios de benefícios pagos a aposentados e pensionistas.
No centro da apuração, a comissão investiga irregularidades no repasse de recursos do INSS. O nome de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, apareceu como possível beneficiário em uma das fases da Operação Sem Desconto, embora ele ainda não tenha sido alvo direto da ação da Polícia Federal (PF).
Ao longo das diligências, investigadores reuniram menções diretas e indiretas que apontam Lulinha como possível “sócio oculto” de Antonio Camilo Antunes, conhecido como “careca do INSS”, acusado de intermediar o esquema e redistribuir valores desviados a servidores do instituto.
Depoimentos reforçam essa linha de apuração. À Polícia Federal, Edson Claro, ex-funcionário de Antunes, afirmou que Lulinha recebia uma mesada de R$ 300 mil. O mesmo valor aparece em mensagens trocadas entre Antunes e a empresária Roberta Luchsinger, nas quais ele menciona a necessidade de repassar recursos ao “filho do rapaz”.
Lula quer que filho pague "o preço"
Diante das citações, o presidente Lula declarou publicamente que, caso haja comprovação de irregularidades, o filho deverá “pagar o preço”. O caso, porém, não se restringe apenas a Lulinha dentro do núcleo familiar do chefe do Executivo.
Outro ponto sensível envolve Frei Chico, irmão de Lula e presidente do Sindnapi. O sindicato está no radar da oposição na comissão, após os repasses do INSS à entidade crescerem 564% entre 2020 e 2024.
O pedido de quebra de sigilo foi apresentado pelo relator da CPI, deputado Alfredo Gaspar. Com a decisão, os parlamentares terão acesso a extratos bancários, declarações de Imposto de Renda e contratos, o que pode confirmar ou descartar movimentações compatíveis com a suposta mesada.
Além desse requerimento, a sessão aprovou 87 pedidos em bloco, incluindo convocações e novas quebras de sigilo, como as do Banco Master investigado por fraudes bilionárias. A reunião terminou em clima de tensão após embates entre governistas e oposição, que, desta vez, conseguiu avançar em pautas consideradas estratégicas.
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