Bolsonaro fica de fora de projeto que anistia condenados do 8/1
Texto final deve beneficiar fugitivos na Argentina e Uruguai
Por: Ana Beatriz Fernandez Martinez
20/06/2025 • 15:17 • Atualizado
O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi excluído da nova versão do projeto de lei que prevê anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro, após resistência do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). De acordo com informações obtidas pela CNN, a direção nacional do PL aceitou retirar o nome de Bolsonaro do texto para permitir a progressão da proposta, que deve ser apresentada ainda neste mês.
Em conversas privadas, Alcolumbre teria deixado claro que não apoiaria a inclusão de possíveis autores intelectuais dos crimes cometidos em 2023. A versão final do projeto deve beneficiar, por exemplo, brasileiros que deixaram o país após os episódios, refugiando-se em nações como Argentina e Uruguai. Estima-se que cerca de 200 pessoas envolvidas nos ataques às sedes dos Três Poderes tenham fugido para o exterior, sendo que a Justiça argentina já determinou a prisão de 61 delas.
As discussões sobre a proposta têm envolvido os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, além da participação indireta de Bolsonaro nas negociações. O texto final deve retirar dois agravantes das penas aplicadas aos condenados, possibilitando que cumpram suas sentenças em regime aberto ou semiaberto.
A expectativa é que Bolsonaro e o PL se manifestem publicamente contra o projeto, mas, na hora da votação, apoiem a proposta, já que o partido tem colaborado na elaboração de um texto de compromisso. Hugo Motta, por sua vez, sugeriu que o relator seja um parlamentar de centro, buscando facilitar a aprovação entre alas da direita e da esquerda.
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