Barulho em cela vira novo foco de críticas à prisão de Bolsonaro
Carlos Bolsonaro afirma que o ex-presidente recebeu protetores auriculares na PF
Por: Redação
14/01/2026 • 11:16 • Atualizado
Familiares do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) voltaram a questionar publicamente as condições de sua custódia na Superintendência da Polícia Federal, em Brasília. Nesta semana, as críticas partiram do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL), que utilizou as redes sociais para relatar que o pai enfrenta ruídos constantes provocados por um aparelho de ar-condicionado instalado próximo ao local onde está detido.
Segundo Carlos, o barulho seria contínuo e intenso, dificultando o descanso do ex-presidente. De acordo com ele, a solução adotada pelas autoridades foi a entrega de protetores auriculares, medida considerada inadequada pelo filho, que defende a correção da origem do problema.
Em publicações feitas no X (antigo Twitter), Carlos Bolsonaro afirmou que a iniciativa demonstra que os responsáveis têm conhecimento da situação, mas optaram por transferir ao custodiado a responsabilidade de lidar com o incômodo. O ex-vereador classificou o ambiente como hostil e disse que a condição configura privação de descanso, cobrando providências imediatas.
COMUNICADO
— Carlos Bolsonaro (@CarlosBolsonaro) January 13, 2026
Fui informado de que o Presidente Jair Bolsonaro, atualmente sob custódia do Estado, sabidamente por todos que sofre exposição contínua a ruído enlouquecedor intenso provocado por um equipamento de ar-condicionado central instalado junto à parede de sua cela.
Diante…
Jair Bolsonaro está preso desde o fim de novembro, após decisão da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF). Ele foi condenado a 27 anos e três meses de prisão, em regime fechado, por liderar uma organização criminosa acusada de atuar em uma tentativa de golpe de Estado para permanecer no poder.
Desde o início do cumprimento da pena, aliados políticos e familiares têm questionado de forma recorrente as condições do encarceramento, especialmente em relação à saúde do ex-presidente. Na segunda-feira (12), o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) divulgou um vídeo afirmando que o pai estaria submetido a regras mais rigorosas do que as aplicadas ao ditador venezuelano Nicolás Maduro, detido nos Estados Unidos.
Na semana passada, Bolsonaro sofreu uma queda dentro da cela e foi atendido por médicos da própria Polícia Federal. O diagnóstico apontou traumatismo craniano leve. O ministro Alexandre de Moraes negou inicialmente a remoção imediata para um hospital, autorizando a transferência apenas no dia seguinte.
O caso levou o Conselho Federal de Medicina (CFM) a anunciar a abertura de uma sindicância para apurar o atendimento prestado ao ex-presidente, procedimento que acabou sendo posteriormente anulado por decisão de Moraes, que também determinou que o presidente da entidade prestasse esclarecimentos à Polícia Federal.
Nesta terça-feira (13), a Defensoria Pública do Distrito Federal (DPDF) informou ter instaurado um procedimento para analisar informações relacionadas às condições de saúde de Jair Bolsonaro. A iniciativa ocorreu após o órgão receber ofícios do senador Izalci Lucas (PL-DF) e do deputado federal Gustavo Gayer (PL-GO), que solicitaram providências sobre o caso.
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