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Tarifa do ônibus em Salvador é desequilibrada pelo metrô, diz vereador

Paulo Magalhães Jr. afirma que divisão da tarifa prejudica sistema

Por: Marcos Flávio Nascimento

11/03/202615:00Atualizado

O debate sobre o transporte público de Salvador voltou ao centro das discussões. Durante entrevista ao Portal Esfera no Rádio nesta quarta-feira (11), o vereador Paulo Magalhães Jr. (União Brasil) afirmou que a atual divisão da tarifa entre ônibus e metrô provoca um desequilíbrio financeiro no sistema da capital baiana.

Foto Tarifa do ônibus em Salvador é desequilibrada pelo metrô, diz vereador
Foto: Lorena Bomfim / Portal Esfera

Segundo o parlamentar, desde a implantação do Sistema Metroviário de Salvador e Lauro de Freitas, a distribuição dos recursos arrecadados com as passagens tem favorecido o modal ferroviário.

Hoje o metrô recebe cerca de 62% da tarifa, enquanto o transporte urbano fica com 38%. É uma conta muito desequilibrada”, afirmou.

 

Tarifa alta para o usuário

 

De acordo com o vereador, o modelo atual cria um cenário paradoxal: a tarifa é considerada alta para quem paga, mas ainda assim não consegue garantir a sustentabilidade financeira do sistema de ônibus.

Para ele, uma das alternativas discutidas é ampliar o subsídio público ao transporte, principalmente diante dos investimentos previstos pela prefeitura.

A tarifa é alta para o usuário, mas ao mesmo tempo não consegue remunerar o sistema como deveria. A gente precisa melhorar os subsídios”, explicou.

Magalhães Jr. também destacou que a cidade deve receber uma renovação significativa da frota nos próximos meses. A gestão municipal prevê a entrega de 700 novos ônibus até o final do próximo ano, o que exigirá investimentos elevados para manter a operação.

 

Integração com metrô altera linhas

 

Outro ponto citado pelo vereador envolve mudanças nas linhas de ônibus após a expansão do metrô. Segundo ele, a integração entre os modais acabou provocando a retirada de algumas rotas tradicionais da cidade, o que gera reclamações da população.

Às vezes uma linha é retirada para integrar com o metrô, mas isso pode dificultar a vida do usuário, que precisa andar mais ou perde tempo para chegar ao trabalho”, disse.

Ele acrescentou que a Câmara tem acompanhado as queixas e avalia pedidos para retorno de linhas ou criação de trajetos complementares.

 

Câmara acompanha custos do sistema

 

O vereador também defendeu maior transparência na gestão do transporte público de Salvador, incluindo a possibilidade de uma planilha aberta com os custos do sistema. A ideia é permitir que vereadores e população acompanhem melhor as despesas e os subsídios envolvidos na operação.

A Câmara precisa se inteirar dos custos do transporte público, porque é um tema que impacta diretamente a vida da população”, afirmou.

 

População pode participar do debate

 

Ainda na entrevista, Magalhães Jr. ainda destacou que os cidadãos podem participar das discussões na Câmara por meio da Tribuna Popular, espaço em que moradores podem se inscrever para falar diretamente no plenário.

Segundo ele, temas ligados ao transporte coletivo aparecem com frequência nas manifestações da população.

“A Câmara é uma verdadeira caixa de ressonância da sociedade. Todos os problemas da cidade acabam chegando lá”, concluiu.