Empresas investigadas pelo MP receberam R$ 321 milhões da Prefeitura de Salvador
Cinco empresas alvo de investigação mantiveram contratos nas gestões de ACM Neto e Bruno Reis
Por: Redação
16/07/2026 • 11:01
Cinco empresas investigadas pelo Ministério Público da Bahia (MP-BA) por suspeitas de fraude em licitações e superfaturamento de contratos públicos receberam, juntas, R$ 321 milhões da Prefeitura de Salvador entre 2015 e julho de 2026. O período engloba as administrações do ex-prefeito ACM Neto (União Brasil) e do atual prefeito Bruno Reis (União Brasil).
As empresas citadas na investigação são G3 Polaris Serviços, MP2 Construções, LN Distribuidora e Comércio, Podium Distribuidora e WLSP Logística e Transportes. Segundo o MP-BA, elas fariam parte de um grupo suspeito de atuar de forma coordenada para direcionar processos licitatórios, garantir contratos públicos e obter pagamentos considerados irregulares.
Ao longo de mais de uma década, as cinco empresas firmaram contratos com diferentes secretarias municipais e também prestaram serviços diretamente ao gabinete dos prefeitos.
A investigação é conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), que estima um prejuízo de R$ 38,3 milhões aos cofres públicos caso as irregularidades sejam confirmadas.
G3 Polaris lidera repasses milionários
Entre todas as empresas investigadas, a G3 Polaris Serviços foi a que mais recebeu recursos da administração municipal. Conforme os dados levantados pelo MP, a empresa acumulou R$ 124,8 milhões em pagamentos desde 2015.
Os repasses cresceram significativamente ao longo dos anos. Após faturar menos de R$ 1 milhão no início da relação contratual com o município, a empresa passou a registrar valores próximos de R$ 25 milhões por ano.
Na sequência aparece a Podium Distribuidora, que recebeu R$ 85,4 milhões. A empresa manteve contratos com as secretarias municipais de Saúde e Manutenção, além de prestar serviços ao Gabinete do Prefeito durante a gestão de ACM Neto.
As demais empresas investigadas também registraram cifras elevadas:
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LN Distribuidora e Comércio: R$ 45,4 milhões;
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WLSP Logística e Transportes: R$ 37,6 milhões;
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MP2 Construções: R$ 27,7 milhões.
Segundo o Ministério Público, a MP2 Construções continuou celebrando contratos com a Prefeitura mesmo após o avanço das investigações. Apenas em 2026, a empresa já teria recebido R$ 1,68 milhão.
Investigação apura fraude em licitações
De acordo com o MP-BA, as empresas compartilhariam estrutura operacional, recursos e interesses econômicos, funcionando como um único grupo para ampliar as chances de vencer licitações públicas.
As apurações apontam que o esquema teria atuado em contratos celebrados pela Secretaria Municipal de Manutenção (Seman), entre 2021 e 2023, período em que a pasta era comandada por Luciano Sandes, além de procedimentos ligados à Companhia de Desenvolvimento Urbano de Salvador (Desal).
Por determinação da Justiça, Luciano Sandes foi afastado do cargo de secretário municipal de Articulação Comunitária e Prefeituras-Bairro. O vereador George Gordinho da Favela (PP) também foi afastado de suas funções por ser investigado por suposta participação no esquema.
Segundo os investigadores, agentes públicos e empresários teriam atuado de forma articulada para direcionar licitações e assegurar contratos considerados irregulares.
A reportagem procurou a Prefeitura de Salvador para comentar o caso. Até a publicação desta matéria, não houve manifestação oficial. O espaço permanece aberto para posicionamento.
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