Trump anuncia tarifa global entre 15% e 20% para países sem acordo com os EUA
Brasil segue sem acordo e pode enfrentar tarifa de até 50% nas exportações
Por: Felipe Santana
28/07/2025 • 17:56 • Atualizado
Durante visita à Escócia nesta segunda-feira (28), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que as tarifas a serem impostas à maioria dos países que não fecharem acordos comerciais com os EUA até a próxima sexta-feira (1º) ficarão "na faixa de 15% a 20%". A declaração representa um recuo em relação à estimativa anterior, quando Trump havia sugerido percentuais de até 50%.
“Só quero ser gentil. Eu diria na faixa de 15% a 20%”, disse o presidente norte-americano ao lado do primeiro-ministro britânico, Keir Starmer, reforçando que “provavelmente será um desses dois números”. Ainda não está claro se o Brasil, que já foi alvo de uma tarifa de 10% em abril, será incluído nessa nova faixa mais branda. Segundo informações da Casa Branca, o país continua na lista de nações que podem ser taxadas em até 50% nas exportações.
Durante o fim de semana, os Estados Unidos firmaram acordos comerciais com o Reino Unido e com a União Europeia, após reunião entre Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen. Já os países que não conseguirem negociar individualmente com os EUA estarão sujeitos à tarifa fixa.
Trump afirmou que a decisão foi tomada diante do grande número de nações com quem os EUA mantêm relações comerciais. “Temos mais de 200 países. Isso seria demais para qualquer um. Então, vamos simplificar com uma tarifa geral para a maioria”, explicou. Segundo ele, os EUA têm acordos comerciais com cerca de 200 países, mas a manutenção de negociações bilaterais com todos seria inviável.
As tarifas, conforme explicou, são cobradas diretamente das empresas importadoras nos EUA, que podem repassar os custos aos consumidores americanos, encarecendo produtos no mercado interno. Na entrevista concedida no domingo (27), Trump descartou qualquer possibilidade de prorrogação da medida. No caso do Brasil, a tarifa será de 50% sobre todos os produtos exportados ao mercado norte-americano, caso não haja acordo até a data estipulada.
Desde o anúncio do chamado "tarifaço", o governo brasileiro tenta abrir canais de diálogo com Washington. No entanto, interlocutores do Itamaraty afirmam que a comunicação está centralizada diretamente na figura do presidente Trump, o que tem dificultado avanços nas tratativas.
