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Senadores tentam reverter tarifa de Trump nos EUA

Estudo aponta risco a 1,9 milhão de empregos; comitiva busca conter prejuízos em viagem a Washington

Por: Lorena Bomfim

23/07/202517:12

Em meio à crise gerada pela decisão do presidente norte-americano Donald Trump de impor tarifas de 50% sobre produtos brasileiros, uma comitiva de senadores brasileiros se reuniu nesta quarta-feira (23/7) com o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, e representantes do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC). O objetivo foi alinhar estratégias antes da viagem do grupo aos Estados Unidos, prevista para ocorrer entre os dias 28 e 30 de julho.

Ministro De Estado Das Relações Exteriores Mauro Vieira
Foto: Carlos Moura/Agência Senado

A missão parlamentar, liderada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores (CRE) do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), não terá papel direto nas negociações com a Casa Branca, mas busca abrir canais de diálogo com congressistas e empresários norte-americanos, em uma tentativa de suavizar o impacto da medida sobre o comércio bilateral.

Durante a reunião, realizada por videoconferência, o chanceler Mauro Vieira apresentou um panorama dos esforços diplomáticos do governo brasileiro para contornar a crise. Ele destacou que uma força-tarefa está sendo coordenada pelo vice-presidente e ministro do MDIC, Geraldo Alckmin (PSB), com o objetivo de minimizar os prejuízos às exportações brasileiras.

Composição da comitiva

A comitiva oficial é formada por quatro senadores titulares:

  • Nelsinho Trad (PSD-MS) – Presidente da Comissão de Relações Exteriores

  • Jaques Wagner (PT-BA) – Líder do governo no Senado

  • Tereza Cristina (PP-MS)

  • Fernando Farias (MDB-AL)

Também estão listados como suplentes:

  • Marcos Pontes (PL-SP)

  • Esperidião Amin (PP-SC)

  • Rogério Carvalho (PT-SE)

  • Carlos Viana (Podemos-MG)

Riscos para o Brasil e os EUA

Segundo um estudo encomendado pela própria CRE, as tarifas podem colocar em risco cerca de 1,9 milhão de empregos no Brasil, especialmente em quatro estados: Mato Grosso do Sul, Bahia, Alagoas e Minas Gerais. Os setores mais afetados devem ser o agronegócio, as indústrias metalúrgica, energética e de celulose.

Nos Estados Unidos, os impactos também seriam significativos. A pesquisa aponta que quatro estados norte-americanos — Califórnia, Flórida, Texas e Nova Jersey — podem ter sua cadeia produtiva comprometida, devido à dependência de importações brasileiras. Juntos, esses estados movimentam quase US$ 22 bilhões em compras de produtos como café, petróleo, ferro, aço, carnes e celulose.

As tarifas, se mantidas, entram em vigor no dia 1º de agosto e representam um duro golpe nas relações comerciais entre os dois países. A missão dos senadores é tentar evitar que o impacto econômico e diplomático se amplie.